Bruno Kelly/Reuters
Bruno Kelly/Reuters

Rocinha tem madrugada 'mais tranquila' e moradores voltam às ruas

De acordo com policiais e soldados das Forças Armadas que fazem cerco ao local, não houve registro de tiros

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2017 | 08h37

RIO - A madrugada de domingo, 24, foi bem mais tranquila do que a anterior na Rocinha. Não houve registro de tiros segundo moradores, policiais e soldados das Forças Armadas que fazem cerco à favela da zona sul do Rio.

No início da manhã, a movimentação de pessoas é intensa na entrada da favela. Bares e lanchonetes estão abertos e funcionários da Comlurb fazem o recolhimento de lixo nas ruas normalmente.

Apesar da aparente tranquilidade, a situação ainda está longe de se normalizar. O policiamento é intenso na região e patrulhas da PM e do Exército circulam pela região. Pelo menos um blindado ajuda na segurança no interior da favela.

Apreensões. Soldados do Exército que estão atuando na Rocinha apreenderam na manhã deste domingo, 24, 100 frascos de lança-perfume e outros 31 de gás - semelhante ao utilizado em isqueiros - na parte alta da favela. O material foi encaminhado à 11ª DP.

Os frascos estavam depositados no interior de um freezer abandonado na Rua 2. Um machadinho e uma caderneta também foram recolhidos. Não foram encontradas outras armas ou drogas.

O domingo de manhã é de aparente tranquilidade na Rocinha. Na madrugada, não houve registro de tiros segundo relatos de moradores, policiais e soldados das Forças Armadas que fazem cerco à favela da zona sul do Rio.

A movimentação de pessoas é intensa na entrada do local. Bares e lanchonetes estão abertos, mototaxistas circulam sem problemas e funcionários da Comlurb fazem o recolhimento de lixo nas ruas normalmente.

Relembre. Depois de quase uma semana de tiroteios no Rio, as Forças Armadas foram chamadas nesta sexta-feira, 22, para cercar a Rocinha - a mais conhecida comunidade da capital -, diante do reconhecimento de que o Estado perdeu o controle na guerra deflagrada pelo crime. Ao todo, 950 homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica estão mobilizados, além de dezenas de blindados e helicópteros. Mais três batalhões do Exército, que somam quase 3 mil homens, estão prontos, caso a situação se agrave. 

Entenda o que desencadeou a onda de violência na Rocinha

A atual onda de intensos tiroteios na Rocinha começou no domingo passado, 17, quando o chefe do tráfico de drogas no morro, Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, se desentendeu com o seu antecessor, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso desde 2011. No domingo, os tiroteios deixaram um morto.

Nem estaria insatisfeito com a atuação de Rogério 157 e teria tentado expulsar o seu grupo da favela, por meio de ordens dadas de dentro da prisão. A relação pode ter piorado depois da união da ADA com a facção paulista PCC. Já Rogério teria matado aliados de seu antecessor e mandado expulsar Danúbia de Souza Rangel, mulher de Nem, do morro.

Em represália, Nem teria incitado criminosos da ADA de outros morros, como Vila Vintém, Morro dos Macacos e São Carlos a tentar retomar a favela. A tentativa, porém, foi frustrada, e Rogério continua no alto do morro, segundo informações da Polícia. Danúbia, que é foragida e ostenta alto poder aquisitivo nas redes sociais, também estaria no local. Os dois corpos carbonizados encontrados pela polícia seriam do grupo de Rogério.

Na segunda-feira, 18, o porta-voz da Polícia Militar do Rio, major Ivan Blaz, e o delegado-titular da 11ª DP (Rocinha), Antônio Ricardo, admitiram que sabiam que poderia haver confronto entre traficantes na Rocinha no dia anterior.  Blaz afirmou que a Polícia Militar não agiu com mais força para acabar com o confronto porque a intervenção poderia vitimar moradores. Já Ricardo acrescentou que não sabia que o confronto, que durou cinco horas, "seria desta proporção".

Na quarta-feira, 20, o governador do Rio afirmou que soube na madrugada do domingo que haveria confronto entre traficantes e pediu que a polícia não interviesse, o que causou polêmica.

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