Foto: Ernesto Carriço/Agência O Dia
Foto: Ernesto Carriço/Agência O Dia

Rock in Rio: site é acusado de vender e não entregar 200 ingressos

Site saiu do ar sem entregar bilhetes para o festival; há queixas de vários Estados

Maria Eugênia de Menezes e Renê Moreira, Especial para o Estado

16 Setembro 2013 | 21h06

FRANCA - Um site é acusado de vender e não entregar ingressos do Rock in Rio 2013. Ao menos 200 pessoas teriam sido enganadas. Elas começaram a desconfiar do golpe após atraso na entrega dos bilhetes, que custavam até R$ 500.

O portal rockinrioingressos.com.br, que vendia os bilhetes, não está mais no ar. Foram criadas comunidades nas redes sociais para denunciar a fraude e há denúncias de várias partes do País.

Os organizadores do evento afirmam que não se responsabilizarão pelo golpe. "A veracidade dos ingressos só é garantida pela venda oficial. Temos estratégias para evitar falsificações, mas elas podem acontecer", diz Fabiane Guimarães, gerente de comunicação do festival.

Durante os três primeiros dias de shows, segundo Fabiane, não chegaram à organização casos de ingressos falsificados. "Mas foram presos alguns cambistas que tentavam vender ingressos nas imediações da Cidade do Rock", diz.

As primeiras vítimas do golpe apareceram há poucas semanas. É o caso do físico Wahlem Santos, de Uberlândia (MG). Por meio de boleto bancário, ele pagou R$ 300 pelo ingresso, com direito a uma camiseta. Após desconfiar que havia sido enganado, descobriu que o boleto, na verdade, era uma ordem de pagamento. O número que consta no documento é o mesmo para todos os que compraram pelo site.

O empresário Rodrigo Toni, de São Paulo, adquiriu dois ingressos, cada um por R$ 450. "Recebi um comprovante da compra por e-mail. Fiquei tranquilo", relata. Também foi o atraso na entrega que despertou a sua desconfiança. "Quando tentei entrar em contato, os e-mails começaram a voltar", conta. Acostumado a fazer compras pela internet, Toni diz que não desconfiou do site.

Hotel e avião. Há casos em que o prejuízo foi ainda maior, já que também foram comercializados hotel e passagem aérea. Um professor de Camboriú, em Santa Catarina, relata ter perdido mais de R$ 2 mil.

"O melhor jeito de evitar fraudes é tentar identificar o fornecedor", observa Laércio Godinho Teixeira, assessor técnico da diretoria de atendimento e orientação ao consumidor do Procon. Segundo ele, o internauta deve procurar informações sobre a empresa, como endereço, CNPJ e telefone. Outra medida de segurança é buscar referências no www.registro.br. "É uma fonte para verificar se o site existe."

A reportagem tentou localizar, sem sucesso, os responsáveis pela empresa que comercializou os ingressos. Os próprios prejudicados fizeram uma investigação, que chegou a um endereço em Belém (PA). Nada foi encontrado no local.

Nos boletos emitidos e nos e-mails enviados aos clientes, constava o nome Ticket Mais. A marca, porém, pertence à empresa Ágape Soluções, que negou ser responsável pelas vendas. "Recebemos muitas reclamações de pessoas equivocadas acreditando que somos os responsáveis. Sugerimos ir ao Procon", diz o esclarecimento.

Para o Procon, é importante registrar o crime rapidamente. "Quanto mais o tempo passa, mais se perdem os rastros deixados pelo autor das fraudes", explica Teixeira. A orientação é fazer um boletim de ocorrência nas delegacias especializadas em crimes eletrônicos.

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