Rodízio volta hoje, 2 semanas antes do fim das férias escolares

Pela primeira vez, suspensão durou menos de 28 dias; CET promete fiscalizar 148 pontos

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

Nem deu tempo de sentir alívio ou saudades. O rodízio de veículos já está de volta. Pela primeira vez desde a criação da medida, há dez anos, a suspensão no período de férias durou menos de 28 dias. O menor prazo estipulado pela Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) para suspender o rodízio ocorreu entre 22 de dezembro de 2001 a 20 de janeiro de 2002. Na época, a justificativa foi o aumento da frota de veículos no ano anterior. Dessa vez, o argumento da CET para retomar a restrição é o aumento do fluxo de veículos por conta do fim das férias escolares.O detalhe é que este ano a medida se antecipou em 15 dias a volta às aulas. Para o consultor em engenharia de tráfego e transporte Horácio Figueira, o retorno do rodízio foi adiantado em duas semanas em relação ao ano passado por "receio" do governo municipal. "É puro medo. Há tempos a cidade só se livra dos congestionamentos no período entre Natal e ano-novo. Depois, a bagunça recomeça". Apesar disso, Figueira é contrário à restrição da circulação de veículos na capital. Ele argumenta que a medida perdeu eficácia e a Prefeitura deve investir em transporte público, com a ampliação dos corredores para ônibus. Uma experiência feita ano passado pela CET mostra que o rodízio pode fazer falta. Em julho houve uma tentativa de suspender a restrição durante as férias escolares, entre os dias 2 e 13. Desde 2000 a cidade não ficava sem rodízio nessa época. A justificativa era de que, nas férias, 20% da frota sai de circulação, o que equivale ao número de veículos parados por conta do rodízio. Mas a experiência foi frustrada. Os índices recordes de congestionamento fizeram a Prefeitura antecipar a volta do rodízio. A lentidão do trânsito na cidade chegou a atingir 201 quilômetros às 19 horas de uma sexta-feira, quando a média era de 164 quilômetros. Para o fotógrafo Teófilo Pereira, 52 anos, cujo carro tem placa de final 7, a volta do rodízio causa preocupação. Ele diz que, mesmo se programando, nem sempre consegue sair do centro expandido (área onde o rodízio é válido) antes das 7 ou das 17 horas, períodos em que começa a restrição. "Por mais que a gente saia cedo de casa, basta um acidente no caminho para o trajeto ficar mais demorado do que se imaginava." Pereira também se sente inseguro em relação aos limites do centro expandido. "Como não tem sinalização, nunca sei se estou dentro ou fora da área em que não pode circular." Até pouco tempo atrás, achava que, indo para o Corinthians, pela Marginal do Tietê, estava livre de multa e vindo, não" - na verdade, o rodízio é válido na Marginal nos dois sentidos.Dúvidas como a do fotógrafo provocaram um impasse entre o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) e a CET. Desde agosto, o Cetran vem anulando as multas por desrespeito ao rodízio que chegam para ser julgadas em segunda instância, por considerar a falta de placas indicativas uma ilegalidade. No ano passado, cerca de 400 autuações foram canceladas. Na sexta-feira, a Prefeitura alertou que as multas continuarão sendo aplicadas. A CET vai monitorar diariamente 148 pontos de fiscalização - 112 por marronzinhos e 36 por radares. A funcionária pública Cléo de Souza, de 50 anos, nem se importou com a volta do rodízio. Ela garante que nunca desrespeitou a restrição. "Sou chata com isso. Já cheguei a dormir no carro para não furar meu horário." Para ela, deixar o carro em casa ou se programar para não sair na hora do rush "já faz parte da vida".Se para Cléo o rodízio é necessário, para os taxistas ele passou a ser fundamental. "É o que garante o nosso ganha-pão", diz Rosalves Marques de Souza, de 76 anos, na praça desde 1968.FRASESHorácio FigueiraConsultor de transporte"A Prefeitura antecipou o fim do rodízio por puro medo. Há tempos a cidade só se livra dos congestionamentos no período entre o Natal e o ano-novo. Depois, a bagunça recomeça"Teófilo PereiraFotógrafo"Como não tem sinalização, nunca sei se estou dentro ou fora da área (centro expandido, onde o rodízio é válido) em que não posso circular"Rosalves Marques SouzaTaxista"O rodízio é nosso ganha-pão"Cléo de SouzaFuncionária pública"Já cheguei a dormir no carro para não perder meu horário. Rodízio já faz parte da vida"

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