Rodoviárias deixam o centro das cidades e vão para perto de estradas

Movimento atinge capitais, como Brasília e Campo Grande, e Campinas, que tem o 2.º maior terminal paulista

Diego Zanchetta e Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2009 | 00h00

Localizadas em regiões degradadas que viraram redutos de prostituição e do consumo de drogas, as rodoviárias estão deixando o centro. Desde a segunda metade do século passado, os terminais de ônibus para viagens regionais e estaduais se consolidaram nas áreas mais centrais, perto do comércio, de órgãos públicos e das antigas estações ferroviárias. Em municípios com mais de 100 mil habitantes, porém, a construção de rodoviárias próximas de estradas e longe das vias movimentadas entrou na agenda de prioridades de políticos, empreendedores e urbanistas. E o fenômeno atinge até capitais: Brasília e Campo Grande terão novas rodoviárias até o início de 2010. Jundiaí e Campinas, por exemplo, têm lugares recém-inaugurados. Em ambos os casos, as rodoviárias deixaram quarteirões que eram tomados por viciados, assaltantes, camelôs e travestis há mais de três décadas. No caso campineiro, o segundo maior terminal rodoviário do Estado também estrangulava o trânsito de um dos cruzamentos mais movimentados do centro, na esquina das Avenidas Andrade Neves e Barão de Itapura. Para conseguir sair da cidade, os ônibus levavam mais de uma hora nos horários de pico. A antiga rodoviária está lacrada e pode virar shopping popular ou conjunto de laboratórios médicos. Mas os arredores do antigo terminal já dão sinais de revitalização, com a saída de camelôs e da prostituição e o lançamento de três empreendimentos residenciais. O terminal de São José do Rio Preto também deve deixar o centro desabitado e ir para o km 444 da Rodovia Washington Luís, em um investimento conjunto de R$ 6 milhões entre prefeitura e empresários. Araras e Limeira seguem o mesmo caminho - nas duas, o entorno virou ponto de venda de crack e de pequenos hotéis. "As ruas de cidades do interior ainda são muito estreitas para equipamentos que cresceram tanto, como os ônibus. Existe uma forte tendência de se retirar as rodoviárias do centro ou fazer revitalizações e obras de modernização em estruturas já existentes", afirmou Eduardo Cardoso, diretor técnico da Socicam, empresa que detém a concessão de 35 terminais rodoviários no Brasil. Urbanistas consideram ainda que qualquer novo endereço deve estar integrado à rede de transporte local. Um dos aspectos que contribuíram para a degradação de quarteirões próximos dos terminais, segundo especialistas, é o fato de que migrantes que não encontraram emprego acabavam se instalando perto do local de chegada. "A retirada da rodoviária da capital paulista da Luz deu certo porque os dois novos terminais, na Barra Funda e Tietê, estão integrados ao metrô. O passageiro chega e já tem transporte para ir para perto do destino e para outras regiões comerciais", avalia o urbanista e arquiteto Jorge Wilheim. O atual Rodoferroviário de Brasília, num quarteirão degradado do centro, muda até o fim do ano para as margens da Via Epia, uma das principais da capital. O novo terminal estará interligado ao metrô. A obra, de R$ 45 milhões, ficou a cargo de três consórcios que vão explorar o terminal por 30 anos. Para ter uma rodoviária moderna e às margens da BR-163, na saída para São Paulo, Campo Grande (MS) vai aplicar R$ 9,54 milhões. Há dez anos, a cidade planeja novo terminal, fora do centro. "As rodoviárias, a maior parte dos anos 70, ficaram obsoletas. Fora a degradação, os ônibus se tornaram um problema no trânsito. As prefeituras querem locais mais próximos das estradas. Mas mesmo esses novos devem estar integrados a um terminal local de ônibus", disse Francisco Moreto Neto, da TTC Engenharia. REVITALIZAÇÃO Ribeirão Preto e Santos optaram pela revitalização que, juntas, somam quase R$ 60 milhões. Velho e com poucas plataformas, o terminal atual da cidade do interior lembra um ponto de ônibus. O do litoral, no centro histórico, está degradado.

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