Romeu Tuma promete investigar denúncia de vôos fantasmas

Corregedor do Senado diz que prática de cancelar vôo para garantir rota sem operação é 'estelionato'

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo,

23 de dezembro de 2007 | 16h36

O Corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), afirmou que vai entrar com um requerimento junto à Comissão de Infra-Estrutura da Casa pedindo a apuração da denúncia publicada neste domingo, 23, pelo jornal O Estado de S. Paulo e que mostra a existência de vôos fantasmas para reservar mercado. "Se for comprovada a denúncia trata-se de 171 é estelionato puro", disse o senador.   Típico exemplo de um "vôo fantasma", as rotas têm sido sistematicamente cancelada pela companhia aérea sem nenhuma justificativa. A maioria dos vôos não está à venda nos sites das empresas, mas constam das planilhas oficiais, deveriam seguir as normas estabelecidas pela Anac, mas raramente decolam dos aeroportos de origem. São o que o próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, classificou de "slots de gaveta". Apesar de o vôo não ser rentável naquele momento, as companhias preferem manter o slot (autorização de pouso ou decolagem) para operá-lo, de olho em um possível aumento da demanda.   Tuma antecipou que em seu requerimento vai cobrar explicações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e das companhias aéreas mencionadas na reportagem. Segundo levantamento feito pelo Estado com base em dados fornecidos pela própria Anac, as cinco principais companhias do País - Gol, TAM, Varig, OceanAir e Pantanal - têm extrapolado o limite de 25% de cancelamentos em um mês, índice permitido pela agência reguladora do setor.   A matéria também mostrou que o vôo 7467 da Gol, previsto para decolar diariamente do Aeroporto Internacional do Galeão para Santiago, no Chile, tem sido sistematicamente cancelado pela companhia aérea.   "Anac, de trás para frente, significa cana. Cana é cadeia. Isso é crime", afirmou Tuma. O corregedor do Senado avisou que entrará com o requerimento na Casa apenas após o fim do recesso, em 2 de fevereiro. "Mas já vou deixar tudo pronto pois trata-se de um assunto que não pode cair no esquecimento", comentou.   Tuma lamentou ainda o fato de vários vôos terem sido cancelados e ou terem sofridos atrasos desde o início do esquema de final de ano, na sexta-feira. "As pessoas querem viajar no Natal para estarem em família e têm passado constrangimento nos aeroportos. Mães com bebês têm de ser submetidas à horas de espera. A situação não pode continuar assim", observou. "A Anac precisa atuar com mais rigor", cobrou.   (Com Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo)

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