Rompimento de adutora mata criança, destrói 17 casas e deixa 60 desalojadas no Rio

Força da água arrastou carros, imóveis e deixou outros 16 feridos no bairro de Campo Grande, na zona oeste da cidade

Marcelo Gomes, Sérgio Torres e Clarice Cudischevitch , O Estado de S. Paulo

30 Julho 2013 | 07h54

Atualizado às 16h45

O rompimento de uma adutora de água no bairro de Campo Grande, na zona oeste do Rio, matou uma criança de 3 anos, feriu outras 16, destruiu 17 casas e deixou 60 pessoas sem casa na madrugada desta terça-feira, 30. Outros 16 imóveis foram parcialmente atingidos e 72 pessoas ficaram desabrigadas por conta de alagamentos, de acordo com balanço do Corpo de Bombeiros.

A menina Isabela Severo da Silva foi resgatada desacordada e colocada num bote, onde os bombeiros tentaram reanimá-la. Ela deu entrada no Hospital Estadual Rocha Faria, teve parada cardiorrespiratória e não resistiu. Entre os feridos, sete foram atendidos e liberados no local e nove foram levados para o mesmo hospital. Sete pessoas já tiveram alta e uma mulher saiu à revelia.

O acidente com a tubulação da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) ocorreu por volta de 4h30 da manhã desta terça, nas imediações da Estrada do Mendanha, na altura do número 4.500. Bombeiros que chegaram ao local logo depois do acidente contaram que o jato de água atingiu uma altura de 20 metros. Carros e casas foram destruídos e a área, localizada em uma baixada, ficou alagada.

 

Marido de Ana Paula dos Santos Oliveira, de 32 anos, uma das feridas, o mecânico Agilson da Silva Serpa, de 42, contou que a família estava dormindo no segundo andar de casa quando, por volta das 6 horas, ouviu um forte barulho.

"Era um barulho de água batendo na telha. Pensei que fosse uma chuva forte, mas a força da água começou a arrancar as telhas de casa e a derrubar as paredes da frente. Corremos para os fundos, até que um jato forte nos arrastou para a rua, do segundo andar. Por sorte, a rua já estava inundada, o que amorteceu a queda", explicou o mecânico, que mora na Rua Projetada A, transversal à Estrada do Mendanha. Além dele, da mulher e da enteada, o cunhado também estava em casa e sofreu ferimentos leves.

De acordo com Serpa, a tubulação da Cedae estourou num trecho que passa num terreno onde havia um matagal, por onde recentemente foram feitos trabalhos com uma retroescavadeira. "Parece que vão construir uma firma no local, mas não tenho certeza". A Cedae já interrompeu totalmente o fornecimento de água para a região; porém, um trecho da Estrada do Mendanha e ruas transversais permanecem inundadas. A Light também interrompeu o fornecimento de energia elétrica na região. Bombeiros utilizam barcos e ambulâncias no socorro às vítimas. Um helicóptero dá apoio à operação.

 

Causas. O diretor de operações da Cedae, Jorge Briard, disse que a empresa vai reconstruir todas as casas destruídas com o rompimento da adutora. Segundo ele, todas as famílias serão abrigadas em hotéis ou motéis próximos e terão alimentação e medicamentos providenciados. A Cedae vai fazer um levantamento das casas destruídas para reerguê-las exatamente como elas eram.

Briard afirmou que passam pelo local duas adutoras com vazão de 3 mil litros de água por segundo, cada uma. O diâmetro de cada uma é de 1,750 metro. A Cedae, depois de acionada, levou 1h30 para interromper o fornecimento e estancar o vazamento.

"Não é possível interromper de uma vez só toda essa massa de água. Caso contrário, haveria outros acidentes em outros pontos da adutora. A equipe técnica ainda está analisando o que causou o vazamento numa das duas adutoras. Só uma vazou. O reparo será concluído até hoje de noite e o fornecimento na região, normalizado até amanhã de manhã", explicou Briard.

De acordo com o diretor, a adutora que rompeu não tem histórico de acidentes e não havia qualquer operação de manutenção preventiva marcada. "Foi um problema pontual e isolado, como ocorre em qualquer lugar do mundo", afirmou. O prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral cancelaram agendas prévias e estiveram em Campo Grande, onde foram hostilizados.

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