Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Roraima cobra R$ 184 milhões da União por gastos com venezuelanos

Pedido de ressarcimento do Estado foi apresentado em audiência no STF. AGU analisa pedido, mas lembrou que já houve repasses e reiterou a impossibilidade do fechamento da fronteira

Neila Almeida, Especial para o Estado

18 Maio 2018 | 19h36

BRASÍLIA - O governo estadual de Roraima apresentou nesta sexta-feira, 18, durante a primeira audiência de conciliação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de “ressarcimento” de R$ 184 milhões gastos com imigrantes venezuelanos que cruzaram a fronteira. Em abril, o Estado entrou com uma ação no Supremo pedindo o fechamento temporário das fronteiras alegando um “colapso”  da economia local. 

+ Com imigração venezuelana, Boa Vista vive problemas de metrópole

No valor apresentado, o governo incluiu custos com atendimentos médicos aos venezuelanos – cerca de R$ 139 milhões – e despesas da rede de educação, além de gastos com assistência social e abrigo. Segundo a governadora de Roraima, Suely Campos (PP), se a União não repassar mais recursos ao Estado, o processo judicial deve continuar. “Vamos continuar judicialmente, se necessário, porque o Estado não pode entrar em uma grande desestabilização social e econômica”, afirmou. 

+ Crise na Venezuela estimula tráfico de armas com Roraima

A advogada-geral da União, Grace Mendonça, que representou o governo federal, se comprometeu a encaminhar aos ministérios responsáveis o pedido, mas lembrou que já houve outros repasses. “Já deixamos muito bem fundamentado que o valor pretendido precisa se ater à realidade, principalmente,  dos esforços que a União já ofereceu ao Estado.” 

Sobre a possibilidade de fechar a fronteira, Grace descartou a opção. “Existe uma questão de competência. O Poder Judiciário brasileiro não tem competência constitucional para fechá-la.” A próxima audiência será no dia 8 de junho. 

Relatora do caso, a ministra Rosa Weber acompanhou a reunião. No despacho em que intimou  as partes a comparecerem à audiência, Rosa concedeu um prazo de 30 dias para a União se manifestar sobre os pedidos do governo de Roraima e sobre a sugestão de um eventual encaminhamento da ação à Câmara de Conciliação e Arbitragem Federal da Advocacia-Geral da União (AGU).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.