Roraima deve ter a campanha mais cara do País, com R$ 116 por voto

Investimento para conquistar governos estaduais deve chegar a R$ 1,5 bilhão - mais de três vezes que o previsto pelos presidenciáveis

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

As estimativas de gastos dos candidatos aos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal revelam que Roraima planeja fazer a campanha mais cara do País, gastando até R$ 116,72 por voto captado. Tocantins é o segundo orçamento mais caro.

Chama atenção o custo estimado pelo candidato Lúcio Alcântara (PR), que vai tentar voltar ao governo do Ceará com gastos de até R$ 50 milhões - ele dirigiu o Estado entre 2003 e 2006. Trata-se do segundo maior orçamento do País - ao lado do valor previsto pelo presidente afastado da Fiesp, Paulo Skaf, que pretende investir igual quantia para disputar o governo de São Paulo pelo PSB.

Ao todo, as estimativas dos candidatos aos governos estaduais somam R$ 1,5 bilhão. O valor é 3,5 vezes maior do que o total previsto pelos principais candidatos à Presidência. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) orçaram suas campanhas em R$ 427 milhões. O volume de recursos que se pretende gastar nas disputas estaduais equivale aos Orçamentos anuais de cidades médias como Santos, no litoral paulista, e Campos dos Goytacazes, na região norte fluminense.

Em termos absolutos, a campanha mais cara é a do Estado de São Paulo. Os candidatos informaram que estimam gastar até R$ 195,6 milhões. O ex-governador Geraldo Alckmin, que pretende voltar ao Palácio dos Bandeirantes pelo PSDB, foi o que orçou a campanha mais dispendiosa: R$ 58 milhões.

Ao se comparar o volume de gastos com o número de eleitores, Roraima assume a liderança do ranking. Os quatro candidatos que vão disputar a eleição no Estado menos populoso do Brasil pretendem gastar até R$ 30,5 milhões na campanha - o que dá R$ 116,72 por eleitor. Tocantins vem logo atrás, com R$ 54,91, e Amapá, com R$ 47,52.

Do outro lado da tabela ficam alguns dos Estados com os maiores colégios eleitorais do País. O Rio de Janeiro terá a campanha proporcionalmente mais barata. Os candidatos calculam gastar R$ 55,9 milhões - o que representa R$ 4,87 por eleitor. Rio Grande do Sul vem depois, com R$ 6,34 por voto, e Minas Gerais fica em terceiro, com R$ 6,38.

Outro caso interessante é o do pedetista Osmar Dias. Indeciso sobre sua participação praticamente até a data-limite para a realização de convenções, o irmão do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) resolveu investir alto na disputa - até R$ 42 milhões. É a 6.ª campanha mais cara e R$ 15 milhões acima do que calculou seu principal adversário, Beto Richa (PSDB) - R$ 27 milhões.

Os tucanos, com 16 candidatos, são os que estimam investir o maior volume de recursos nas campanhas a governo de Estado. O total calculado pelo partido é de R$ 353,9 milhões.

Com estimativas de gastos até R$ 272,3 milhões, o PMDB, com 13 candidatos, vem em segundo lugar. Sua campanha mais cara é a do ex-ministro Hélio Costa, que também vai disputar o governo do Minas Gerais. Ele calculou seus gastos em R$ 35 milhões.

O PT também abriu os cofres para disputar alguns Estados - tem 10 candidatos próprios. É o terceiro entre os partidos que mais vão investir na corrida aos governos, com R$ 206,8 milhões. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, tenta a reeleição com a campanha mais cara entre os petistas: R$ 47 milhões. Aloizio Mercadante, em São Paulo, vem logo atrás: R$ 46 milhões. Candidato no Distrito Federal, Agnelo Queiroz previu R$ 35 milhões.

PARA ENTENDER

Doações para eleição são limitadas

A Justiça Eleitoral prevê que a arrecadação dos recursos para a campanha eleitoral pode ser feita com recursos próprios, doações de pessoas físicas e jurídicas, doações de outros candidatos, comitês financeiros ou partidos políticos, repasse de recursos do Fundo Partidário e receita obtida com a comercialização de bens ou realização de eventos.

As doações são limitadas. Pessoa física só pode doar 10% do rendimento bruto e pessoa jurídica, 2% do faturamento bruto.

O valor máximo dos gastos durante campanha deve ser estimado e declarado na inscrição no TSE. O candidato e o partido não podem ultrapassar o valor previsto. Entretanto, podem usar doações recebidas em anos anteriores ao do atual pleito, desde que devidamente discriminadas na prestação de contas.

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