Ministério da Segurança Pública
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Roraima faz novo pedido ao STF para conter fluxo migratório de venezuelanos

Estado assistiu a protestos neste fim de semana e governo pede que todas as unidades da federação assumam uma 'cota de refugiados'. Supremo já negou pedido de fechamento da fronteira

Tarsira Rodrigues, Especial para o Estado

20 Agosto 2018 | 14h33
Atualizado 20 Agosto 2018 | 17h30

BOA VISTA - O governo de Roraima anunciou nesta segunda-feira, 20, que ingressou com nova ação na Justiça para conter o fluxo migratório por meio da fronteira com a Venezuela, localizada no município de Pacaraima, no norte do Estado. O pedido de urgência foi protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) e solicita a suspensão temporária da migração de venezuelanos por essa divisa.

Em entrevista à imprensa nesta segunda, o procurador-geral do Estado, Ernani Batista dos Santos, disse que a ação pede também que o processo migratório ocorra em forma de "cotas de refugiados", distribuindo os imigrantes entre as 27 unidades da federação. "É preciso que o governo federal chame para as discussões todos os Estados brasileiros para que esse processo de interiorização seja ampliado", afirmou.  

No texto da ação, o governo do Estado pede que "a partir da intimação da decisão, redistribua os imigrantes para os outros Estados através de cota de refugiados, proporcional à população e ao Índice de Desenvolvimento Econômico (IDE) de cada federação, sob pena diária de R$ 1 milhão a serem depositados numa conta judicial para a aplicação de políticas emergenciais voltadas para reduzir os efeitos negativos da imigração".   

Ele reforça que essas medidas foram a saída encontrada pelo executivo estadual diante dos graves conflitos ocorridos no sábado, 18, quando a população do município de Pacaraima, revoltada, realizou um protesto geral que pedia a saída dos imigrantes venezuelanos da região. O governo federal incrementou o efetivo da Força Nacional no Estado. Foram enviados mais 120 homens, que se somam aos 31 que já se encontravam em Roraima.

O efetivo pousou na Base Aérea de Boa Vista às 13h20h (horário local) em um avião Hércules da Força Área Brasileira (FAB). Os agentes saíram de Brasília às 8h30 e seguem para Pacaraima, a 215 quilômetros da capital, ainda nesta segunda-feira.

As medidas visam também, segundo o procurador-geral, evitar eventuais conflitos violentos entre brasileiros e venezuelanos. Constam do pedido também uma barreira sanitária na fronteira entre os dois países, audiência de conciliação entre União e todos os Estados e o Distrito Federal para discutir a cota de refugiados e instalação de hospital de campanha do Exército exclusivamente para venezuelanos.

Supremo já negou pedido de fechamento da fronteira 

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou no dia 6 de agosto pedido do governo de Roraima, feito em abril, para fechar a fronteira entre Brasil e Venezuela. A ministra também negou a solicitação de que fosse imposto um limite para o ingresso de refugiados venezuelanos no País. Com a decisão, Rosa nega os pedidos cautelares (aqueles tidos como urgentes) feitos pelo Estado de Roraima à Corte. O mérito da ação ainda não foi julgado.

Nesta segunda, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general Sergio Etchegoyen, disse que o fechamento da fronteira entre Brasil e Venezuela é "impensável" e que cabe ao governo de Roraima avaliar um pedido ao presidente Michel Temer para decretar o emprego das Forças Armadas em ações de segurança pública, por meio de operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

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