WILSON PEDROSA/AE
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Roriz deixa disputa e é substituído pela mulher

Ex-senador escapa da Ficha Limpa e já deixa claro que, na prática, candidato é ele

Carol Pires / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2010 | 00h00

Barrado pela lei da Ficha Limpa e deixado no limbo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Roriz (PSC) desistiu ontem de concorrer a um quinto mandato como governador do Distrito Federal e anunciou a indicação de Weslian Roriz, com quem é casado há 50 anos, para substituí-lo na chapa. "Ela está representando meu nome", disse o ex-governador.

Como já venceu o prazo legal para troca dos nomes e fotos dos candidatos, quem digitar o número do PSC na urna eletrônica verá Joaquim Roriz na tela do equipamento, no dia da eleição. Em quase uma hora de entrevista coletiva, em sua mansão, no Park Way, Roriz também não deixou dúvidas de que não é só na urna que ele continuará sendo o cabeça da candidatura.

O ex-governador evitou que Weslian respondesse às perguntas dos jornalistas. Ela própria se calou diante das questões. "Meu marido pode responder melhor", disse ela. Ao final, a agora candidata concordou em fazer um breve pronunciamento. Emocionada, Weslian disse que só aceitou ser candidata para não deixar o marido passar "por aquela humilhação". Questionada sobre sua experiência política, citou um projeto de adestramento de cães para cegos que criou em Brasília.

"Eu não diria que ela é inexperiente: Roriz faz política há 50 anos e ela está ao lado dele há 50 anos. Então, não pode ser inexperiente", disse o deputado federal Jofran Frejat (PR), candidato a vice-governador na chapa. Frejat disse ter sido convidado para substituir Roriz, mas avaliou que Weslian teria melhores condições de "herdar" os votos do ex-governador.

Ao desistir da candidatura, Roriz abriu mão de uma candidatura incerta para ter certeza de que sua candidata poderá assumir o comando da capital. "Qual seria a outra opção? Desistir e não ser candidato, abandonar o barco? Ou ir para a eleição sangrando o tempo todo com a oposição colocando que ele não será candidato?", resumiu Frejat.

Bezerra. Roriz foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral por ter renunciado ao mandato de senador em 2007 para fugir de um processo disciplinar, acusado de negociar a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões do empresário Nenê Constantino. Joaquim Roriz voltou a afirmar ontem que o dinheiro dizia respeito a um empréstimo para a compra de uma bezerra de R$ 300 mil, cria de uma vaca premiada. E que só renunciou porque estava desconfortável no Senado. "É possível que agora vão me processar porque eu renunciei à minha candidatura", ironizou.

Também foi como vítima que ele se portou ao explicar sua decisão à imprensa. Disse ser alvo de uma "orquestração" para transformar o Brasil num regime socialista. Segundo ele, Brasília é o primeiro alvo por ser uma região agricultável, com abundância de água, onde não ocorrem tragédias climáticas, que "salvará o mundo da fome" no caso de uma eventual guerra mundial.

"Vejo nessa decisão uma orquestração bem elaborada. Vejo essa orquestração como um alerta de que estão se organizando para mudar o regime no Brasil, de democrático para o socialismo", disse o ex-governador, ao se apresentar como a "resistência democrática" diante do tal complô.

Roriz afirmou que não poderia esperar que a decisão do STF ficasse nas mãos do 11º ministro, que sequer foi indicado pelo presidente da República. "Não podemos deixar o destino de 1,8 milhão de eleitores nas mãos do presidente Lula, que é inimigo do Roriz" reforçou o advogado do ex-governador, Ari Varela.

Pergunta. Um repórter sugeriu a Roriz que elaborasse uma última pergunta ao adversário dele, o candidato Agnelo Queiroz, do PT. Joaquim Roriz costuma dizer ser candidato "por desígnio de Deus" e disse que perguntaria para Agnelo o seguinte: "O senhor era comunista e agora é petista. O comunista não acredita em Deus. Você é contra ou a favor do aborto?".

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