Roriz é denunciado pelo 'escândalo da bezerra'

Promotores pedem que ele e mais 5 acusados devolvam R$ 223 mil aos cofres públicos por simulação de transação bancária para ocultar desvio

Leandro Colon de Brasília, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

O Ministério Público do Distrito Federal denunciou o ex-governador Joaquim Roriz e mais cinco pessoas pelo "escândalo da bezerra". Seis promotores querem que eles sejam condenados por improbidade administrativa e devolvam R$ 223 mil aos cofres públicos.

A denúncia, protocolada na Justiça anteontem, afirma que o Banco de Brasília (BRB) foi usado na simulação de uma transação bancária para repassar dinheiro a Roriz. Em sua defesa, o ex-governador do DF alega que os recursos seriam oriundos de empréstimo pessoal para comprar o embrião de uma bezerra.

O episódio, revelado em julho de 2007, culminou com a renúncia dele ao mandato de senador para evitar um processo de cassação. Antigo aliado e hoje adversário do governador cassado José Roberto Arruda, Roriz é candidato pelo PSC a governador nas eleições de outubro e lançou no sábado passado seu escritório político em Brasília.

Em 2007, o político foi flagrado pelo Ministério Público num diálogo em que acerta com o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Tarcísio Franklim de Moura, o desconto de um cheque de R$ 2,2 milhões da Agrícola Xingu destinado ao empresário Nenê Constantino, um dos donos da empresa aérea GOL.

Divisão. Segundo as investigações, Roriz ficaria com R$ 270 mil. No diálogo, ele sugere que o restante do dinheiro seria dividido por "muita gente". Em sua defesa, o ex-governador alegou que o dinheiro seria um empréstimo de Nenê Constantino para comprar o embrião de uma bezerra na Universidade de Marília, em São Paulo.

O problema é que, segundo a investigação, o cheque era do Banco do Brasil e Nenê Constantino não possuía conta no Banco de Brasília.

Roriz teria usado um banco do governo do DF de forma ilegal para sacar recursos. O BRB, diz a denúncia, foi lesado pelos envolvidos porque não tinha "legitimidade" para descontar um cheque do Banco do Brasil.

Interesse. Segundo a denúncia, todos os envolvidos agiram "no intuito de satisfazer interesse particular de Joaquim Roriz e Constantino de Oliveira". A cobrança para devolver R$ 223 mil aos cofres públicos ? imposta a Roriz e a mais cinco pessoas ? é amparada em multa de 10% determinada pelo Banco Central por violação às regras de transação bancária.

Os promotores pedem que os denunciados sejam condenados a perda dos direitos políticos, o que poderia impedir a participação de Joaquim Roriz em qualquer eleição.

Foram denunciados, além do ex-governador, o empresário Nenê Constantino, o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklim Moura, dois ex-diretores do banco, Ari Alves Moreira e Carlos Antônio Brito, e Benjamin Roriz, ex-secretário do governo do DF.

Roriz rompeu com Arruda após a renúncia ao Senado. Arruda aponta o ex-senador como articulador da revelação, em novembro passado, do esquema de corrupção no governo do DF. Delator do esquema e ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, Durval Barbosa estaria hoje aliado a Roriz, de quem era próximo antes das eleições de 2006.

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