Roriz monta aliança que inclui PSDB no Distrito Federal

Conforme previsto na Lei da Ficha Limpa, político poderia ficar inelegível até 2023; Roriz nega ''condenação''

Rafael Moraes Moura e Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

Ameaçado de ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) apresentou ontem sua chapa na corrida ao Palácio do Buriti. Palanque de José Serra no DF, Roriz costurou uma ampla aliança local com sete legendas, entre elas o PSDB, que lançou o nome de Maria de Lourdes Abadia ao Senado.

Por ter renunciado ao cargo de senador em 2007 para escapar de um processo de cassação, Roriz poderia ficar inelegível até 2023, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa. Mesmo assim, o político acredita que vai conseguir concorrer, alegando que não tem "condenação". "Eu não sei o que é Ficha Limpa, não tenho condenação. Renunciei ao mandato de Senador da República dispensando todas as mordomias", discursou para um auditório lotado no centro da capital.

Em 2007, o político foi flagrado num diálogo em que acerta com o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Tarcísio Franklin de Moura, o desconto de um cheque de R$ 2,2 milhões da Agrícola Xingu destinado ao empresário Nenê Constantino, fundador da empresa aérea Gol. Roriz alega que os recursos seriam oriundos de empréstimo pessoal para comprar o embrião de uma bezerra. Revelado em julho de 2007, o episódio culminou com a renúncia.

"Querem ganhar a eleição no tapetão. Lá no tapetão eu não aceito, vai pra rua, vai buscar os voto (sic), se ganhar nos votos, eu serei o primeiro a telefonar para parabenizar", continuou.

Na avaliação do advogado de Roriz, Eládio Carneiro, a decisão do TSE não se reportou especificamente sobre os casos de renúncia. "Roriz goza hoje de todos os direitos políticos. Em 2007, não havia nenhuma penalidade para quem abrisse mão do seu mandato", disse. Caso não consiga o registro da candidatura, Carneiro pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"O Serra tem um forte palanque no DF", disse Maria de Lourdes Abadia ao Estado.

A convenção de Joaquim Roriz mobilizou partidários do candidato, que se deslocaram da periferia ao centro da capital em vans e ônibus. Segundo Viviane Barroso, líder comunitária de Samambaia, as despesas com transporte e alimentação foram pagas pelas próprias lideranças locais.

Agnelo. Ainda sob impacto da maior crise de corrupção da história do Distrito Federal, uma aliança de vários partidos sacramentou a candidatura do ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz (PT) ao Palácio dos Buritis.

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