Roriz perto da 1ª derrota desde 1990

Weslian, mulher do ex-governador, entrou na reta final da campanha com um baú de promessas

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Pela primeira vez na história do Distrito Federal, o sobrenome "Roriz" deve sair derrotado das urnas. As pesquisas mostram que o candidato Agnelo Queiroz (PT) vencerá o segundo turno para o governo estadual, que disputa com Weslian Roriz (PSC), catapultada à corrida ao Palácio do Buriti após o marido desistir por causa da Lei da Ficha Limpa.

Desde 1990, primeiro ano de votação para governador no DF (antes, o chefe do Executivo local era escolhido pelo presidente da República), Joaquim Roriz ganhou todas as eleições para o Executivo distrital em que concorreu - em 1990, 1998 e 2002. Em 2006, foi eleito senador, mas renunciou em 2007 para escapar do processo de cassação.

Nas últimas semanas, a mulher de Roriz tentou virar o jogo. Apostou no capital político do sobrenome, falou em aborto, exibiu em seu programa depoimentos de pessoas acusando Agnelo de irregularidades quando comandava o Ministério do Esporte, falou em "amor, carinho e assessores técnicos".

Em desvantagem nas sondagens - o Ibope coloca Agnelo 23 pontos porcentuais à frente nos votos válidos -, Weslian despejou sobre o eleitor um verdadeiro baú de promessas. Ela prometeu anistia de multas para motoristas, isenção de IPVA para motoboys e mototaxistas, fim do IPTU para moradias de baixa renda, aumento do valor do Bolsa-Família, reajuste do vale-refeição para servidores, refinanciamento de dívidas .

"Ela aprendeu direitinho com o (presidente) Lula e o marido a fazer promessas de apelo populista", diz o cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília (UnB). "O que temos é um convescote, onde dona Weslian só está fazendo número."

Gafes. O "número" de Weslian foi além do quadrilátero do DF, ganhando repercussão nacional após a série de deslizes protagonizados nos debates. No primeiro, a candidata disse querer "defender toda aquela corrupção", para logo depois se corrigir - e cometer outras gafes. No último debate, na quinta-feira, chamou o adversário de "nosso candidato" e "governador".

Dona Weslian pautou a campanha com a convicção de seguir com o "jeito Roriz de governar". "Um Roriz vai continuar cuidando do nosso povo", afirmou o marido no horário eleitoral. A campanha concentrou-se em cidades-satélites mais pobres do DF, onde a família Roriz reinava.

A eleição de hoje pode representar o fim de uma prática política que perdurou 14 anos na região - tempo total dos quatro mandatos do ex-governador. "É a derrota de um projeto sem compromisso com a população", disse Agnelo. O petista costurou uma aliança com 11 partidos, reservou a vaga de vice para Tadeu Filippelli (ex-aliado de Roriz), atraiu o apoio do Partido Verde, mas foi cobrado porque a coligação reúne deputados acusados de envolvimento no chamado "mensalão do DEM".

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