Rosário foi solto 3 vezes; em todas, voltou ao crime

Matador de irmãos já fora detido por roubo, homicídio e abuso sexual; último laudo foi dado em Taubaté

Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

28 Setembro 2007 | 00h00

Não foi a primeira vez que Ademir Oliveira do Rosário saiu da cadeia e cometeu crimes. Em outubro de 1998, depois de cumprir pena por homicídio, ele foi preso por praticar roubo seguido de violência sexual. Estava na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté quando, em 2006, uma equipe multidisciplinar de psiquiatras, psicólogos, clínicos, assistentes sociais e enfermeiros concluiu que não oferecia perigo à sociedade. Foi com base nesse laudo que Rosário foi incluído, por decisão judicial, no programa de desinternação progressiva, que lhe permitia sair para visitar a família. Ele aproveitava as visitas para praticar novos crimes sexuais. A primeira acusação criminal contra Rosário foi registrada ainda quando ele tinha 19 anos. Em outubro de 1990, foi preso em flagrante numa tentativa de roubo. Ficou detido por 2 meses e acabou liberado após a condenação, de 1 ano e 9 meses de reclusão em regime aberto. Em outubro de 1991, cometeu o primeiro assassinato.Segundo a delegada Cíntia Tucunduva, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ficou preso na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté e acabou solto antes de ser julgado pela acusação de assassinato. De volta às ruas, Rosário voltou a cometer crimes - praticou um roubo e abusou sexualmente da vítima em 4 de agosto de 1998. Segundo a Defensoria Pública e o Tribunal de Justiça de São Paulo, acabou condenado a 7 anos de prisão - pelo homicídio anterior - em maio de 1999. Em setembro daquele ano, recebeu a pena de 11 anos de prisão pelo roubo seguido de atentado violento ao pudor. Somadas, as três penas chegavam a exatos 19 anos, 7 meses e 19 dias de prisão, que se fossem cumpridas integralmente só o colocariam em liberdade novamente em 13 de março de 2018. No início de 2004, porém, o preso teve a pena convertida em medida de segurança. Isso porque os peritos perceberam alguma doença mental. O juiz anulou a pena de Rosário e o transferiu para tratamento médico em um hospital de custódia, por tempo indeterminado, até que um grupo de especialistas atestasse que não ofereceria mais perigo à sociedade. Foi o que ocorreu em 2006, quando, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o assassino das crianças na Cantareira foi examinado por uma comissão multidisciplinar para decidir se podia fazer parte do programa de desinternação progressiva, regulamentado, segundo a SAP, pelo decreto estadual 46.046/01 e pela portaria 009/03 da Vara das Execuções Criminais. A comissão entendeu que havia cessado a periculosidade. Com base nisso, a Justiça mandou que o preso fosse incluído no programa. Assim, Rosário foi transferido para o Hospital de Franco da Rocha, de onde saía aos fins de semana para visitar a família - há registros de que o acusado chegou a passar até 20 dias seguidos com os parentes. FOTO E VÍDEO "Ele não pode conviver na sociedade", afirma o delegado Francisco Petrarca Ielo Neto, do DHPP. Ielo contou que a polícia está examinando fotos achadas no telefone celular de Rosário. Uma delas retrata dois adolescentes ainda não identificados. "Queremos saber quem são." Além das fotos, há um vídeo feito na Serra da Cantareira, no qual se escutam as vozes de Rosário e de outro homem. "As seis vítimas que reconheceram o criminoso disseram que ele estava sozinho", ressaltou a delegada Cíntia Tucunduva. Mas, por causa desse vídeo, a polícia não descarta que ele tenha recebido a ajuda de um cúmplice em algum dos crimes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.