Roseana vira alvo do Ministério Público

Procurador-geral da República recebe pedido para investigação sobre as suspeitas de lavagem de dinheiro por parte da governadora do Maranhão

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

O procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira pediu ontem uma investigação sobre as suspeitas de lavagem de dinheiro por parte da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Um ofício foi enviado por ele ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que chefia o órgão responsável por apurar acusações contra governadores de Estado.

No documento, Silvio de Oliveira, que atua no Ministério Público Federal em São Paulo, aponta que as operações entre Roseana e o Banco Santos - reveladas pelo Estado - são "a princípio, ilícitas". No domingo, o jornal publicou documentos que estão nos arquivos do Banco Santos mostrando que a governadora e o seu marido, Jorge Murad, teriam simulado um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão que possuíam no exterior. Em entrevista, o administrador judicial do banco, Vânio Aguiar, confirmou que os papéis estão nos arquivos oficiais da instituição bancária.

Silvio de Oliveira é o responsável, entre outras coisas, pela ação criminal contra Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos e amigo íntimo da família Sarney. Edemar é padrinho de casamento de Roseana e Murad.

O processo sobre o caso do Banco Santos encontra-se parado na Justiça Federal. Condenado a 21 anos de prisão, Edemar recorreu e responde em liberdade. Ele chegou a ser preso. O Banco Santos quebrou em novembro de 2004 e sua falência foi decretada no ano seguinte.

A entrada do Ministério Público Federal no caso pode ajudar a identificar a operação financeira que teria ocorrido no exterior envolvendo a governadora. Segundo e-mails que estão nos arquivos do Banco Santos, os dólares foram transferidos por meio de uma conta do banco suíço UBS, do qual Edemar seria cliente.

O empréstimo de R$ 4,5 milhões foi liberado no Brasil no dia 29 de julho de 2004 e, segundo os documentos, US$ 1,5 milhão foram depositados cinco dias depois numa conta externa. As investigações sobre a falência do Banco Santos mostram que o ex-banqueiro, sem aval para operar oficialmente no exterior, usava offshores laranjas para receber recursos fora do Brasil.

Análise técnica. O dinheiro seria usado para a empresa Bel-Sul Participações, de Roseana e Murad, comprar ações em um shopping em São Luís e outro no Rio. A transação envolveu ainda mais um aliado da família Sarney: Miguel Ethel Sobrinho, ex-presidente da Caixa Econômica no governo de José Sarney e, até o ano passado, conselheiro da fundação que leva o nome do presidente do Senado.

Ontem, o Estado mostrou que o empréstimo foi regularizado no Brasil poucos dias antes da intervenção judicial no Banco Santos, em 12 de novembro de 2004. O dinheiro foi liberado no dia 29 de julho daquele ano, mas só em 5 de novembro - uma semana antes da quebra do banco e da decretação da intervenção - as garantias foram registradas, conforme certidões obtidas pela reportagem num cartório de São Paulo.

Roseana nega as suspeitas sobre lavagem de dinheiro e afirma que o empréstimo foi regular no Brasil. Seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, minimizou a iniciativa do Ministério Público. "Embora eu ache que não há indícios para abertura de investigação, é sempre bom que haja uma análise técnica, já que os empréstimos são regulares."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.