Rosinha Garotinho faz vigília contra cassação

Prefeita de Campos (RJ) foi afastada do cargo pela Justiça Eleitoral na noite de anteontem acusada de abuso de poder econômico nas eleições de 2008

WILSON TOSTA / RIO, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h07

Ex-governadora do Rio (2003-2006), Rosinha Garotinho (PR) passou a madrugada e o dia de ontem em vigília na Prefeitura de Campos, no norte fluminense, protestando contra a decisão da Justiça que cassou seu mandato de prefeita da cidade por suposto abuso de poder econômico nas eleições de 2008.

Na noite de quarta-feira, a juíza da 100.ª Zona Eleitoral de Campos, Gracia Cristina Moreira do Rosário, anunciou a cassação da prefeita e de seu vice, Francisco de Souza Oliveira. A decisão atingiu ainda o marido de Rosinha, também ex-governador, Anthony Garotinho (hoje deputado pelo PR-RJ), e três radialistas de uma emissora de Campos - Fábio Paes, Linda Mara Silva e Patrícia Cordeiro.

A defesa do casal entrou com recurso na própria quarta-feira e a prefeita decidiu aguardar a decisão do desembargador federal Sérgio Schwaitzer, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), relator do mandado de segurança com pedido de liminar para suspender os efeitos da sentença, na prefeitura. Até o início da noite de ontem, o TRE ainda não havia julgado o recurso.

"Não vou aceitar de braços cruzados, estou indignada, quero demonstrar a minha indignação e vou permanecer aqui dentro da prefeitura", disse a prefeita, de madrugada. Na prefeitura, foi improvisado um acampamento com barracas por seus partidários - alguns com fitas cor-de-rosa nos braços. Ela atribuiu a decisão a "perseguição política" e negou as acusações.

No fim da tarde, a juíza enviou documento determinando que o presidente da Câmara de Campos, Nelson Nahim, tome posse imediatamente como prefeito. Nahim e irmão de Garotinho.

Confronto antigo. A cassação de Rosinha pela juíza da primeira instância é mais um episódio de uma briga antiga pelo comando da prefeitura de Campos, cidade na qual indicadores sociais característicos da pobreza extrema e da miséria contrastam com o Orçamento municipal inflado pelos royalties sobre a produção de petróleo na bacia continental (R$ 1,9 bilhão em 2011).

Tanto as eleições municipais de 2004 como as de 2008 foram cenário de disputas que acabaram na Justiça. Após denúncias de compra de votos com programas sociais, foi necessário fazer nova eleição em 2004.

Em junho de 2010, Rosinha já fora afastada, mas obteve na Justiça o direito de aguardar a decisão no cargo. A disputa já chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas voltou à vara eleitoral, para o julgamento.

A Ação de Investigação Eleitoral foi iniciada na Justiça pela coligação Coração de Campos, do ex-adversário de Rosinha na disputa pela prefeitura, Arnaldo Vianna.

A juíza Gracia Cristina Moreira entendeu haver provas de que a prefeita e seu vice foram beneficiados por propaganda eleitoral irregular em rádio do grupo local O Diário. Os radialistas condenados teriam utilizado o espaço concedido em programas em que atua ou são dirigidos por Anthony Garotinho para promover a candidatura de Rosinha.

"Não respondo por nenhum abuso de poder econômico, quando dei uma entrevista em junho de 2008 dizendo que aceitava ser candidata a prefeita em Campos", argumentou a prefeita, em entrevista à CBN. "Eu não estava em nenhum governo, Garotinho não estava em nenhum governo, portanto não cabe abuso de poder econômico."

Protesto. A própria Rosinha chamou seus partidários para ocupar a prefeitura, de madrugada. "Convoquei a população, aqueles que puderem, para estar resistindo junto comigo." De manhã, ela descartou a possibilidade de repetir a greve de fome feita pelo marido em 2006. O deputado Garotinho atacou o que chamou de "golpe" e "covardia" contra sua mulher e acusou o governador Sérgio Cabral (PMDB) de estar por trás da decisão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.