Rossi é acusado de uso eleitoral da Conab

Em 2007 atual titular da Agricultura enviou 100 t de feijão para prefeito aliado, diz revista

, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Um especialista em usar cargos políticos e dinheiro público para enriquecer, distribuir favores eleitorais entre correligionários e dar explicações que enrolam a Presidência da República. Esse perfil do ministro da Agricultura, o paulista Wagner Rossi, 68 anos, está na última edição da revista Veja.

A reportagem faz referência a um caso de uso eleitoral da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab ), passa em revista os 30 anos de política de Rossi, chama o ministro de "colecionador de problemas" e pergunta se ele tem condições de continuar no comando da pasta.

Ao contrário do que fez no Ministério dos Transportes, de onde demitiu Alfredo Nascimento, do PP, a presidente Dilma Rousseff, no caso de Rossi, do PMDB, manifestou apoio e pediu que o ministro fizesse uma "faxina" nos cargos da Conab entregues a afilhados políticos, trocando-os por técnicos.

Veja diz que um caso exemplar de uso eleitoral aconteceu em 2007, quando a estatal era presidida por Rossi. A companhia enviou 100 toneladas de feijão para a prefeitura de João Pessoa, do aliado federal Ricardo Coutinho, do PSB. O feijão acabou num lixão, numa tentativa de apagar a prova do crime denunciado por um funcionário da Conab.

Coutinho guardou o feijão para ser usado no ano seguinte, na disputa pela reeleição. Quando a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral foram alertados para o fato de que o feijão, depois de estocado, ia ser distribuído à véspera do primeiro turno da eleição municipal, ao menos 8 toneladas foram despejadas por caminhões da prefeitura em um aterro sanitário.

Alexandre Magno Franco, ex-presidente da Conab e assessor especial de Rossi, disse à revista que distribuir alimentos e fazer uso eleitoral da Conab é uma prática comum e usada para beneficiar "todos os partidos" - inclusive o filho do ministro, Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do diretório do PMDB de São Paulo.

Antes de assumir a Agricultura e presidir Conab, Rossi também dirigiu por influência do amigo e atual vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) a Companhia Docas de São Paulo (Codesp). Como as empresas privadas contratadas pela Codesp deviam R$ 126 milhões à Previdência, Rossi fez um acordo, em 2001, que gerou um processo reaberto no ano passado: quitou a dívidas de 99 empresas com dinheiro público, sob condição de que elas, depois, acertassem as contas com a Codesp. Os cofres públicos receberam até agora míseros R$ 20 mil.

A revista relata ainda uma reunião da comissão de licitação da Agricultura, em dezembro de 2010, quando, por ordem superior, os funcionários foram orientados e não selecionar o vencedor. Motivo: o nome estava previamente escolhido porque já estaria acertado "o pagamento de R$ 2 milhões ao 8.º andar" - o do gabinete do ministro. Um funcionário denunciou o "jogo de cartas marcadas" e o ministério foi obrigado a suspender a licitação.

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