OUROFINO.COM–3/5/2011
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Rossi viajou em jatinho cedido por empresa

Ministro admite ter utilizado avião da Ourofino, que depende da pasta para vender produtos

Eduardo Bresciani e Lígia Formenti / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2011 | 00h00

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, utilizou em seus deslocamentos um avião de uma empresa que depende de autorizações da pasta para vender seus produtos. A Ourofino Agronegócio atua no ramo de agrotóxicos, sementes e saúde animal e colocou à disposição do ministro e de seu filho Baleia Rossi (PMDB-SP), deputado estadual, um Embraer Phenon 100 avaliado em US$ 7 milhões, conforme revelou o jornal Correio Braziliense ontem.

Integrantes do governo e empresários do setor afirmaram que a empresa é beneficiada pelo ministério por meio de processos mais ágeis para obter licenças de seus produtos. Relatos dão conta de que servidores do Ministério da Agricultura fazem pressões nesse sentido junto ao Comitê Técnico de Assessoramento de Agrotóxicos, que conta com representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O ministro diz que a pasta age dentro de sua "missão institucional" ao defender prioridades para alguns produtos.

Ao Estado, Rossi admitiu ter viajado no avião da Ourofino em "três ou quatro ocasiões". Ele citou ter usado o avião duas vezes para ir de Brasília para a cidade onde mora, Ribeirão Preto (SP). Em outra ocasião, foi até Uberaba (MG), onde a Ourofino tem filial. Além de ceder o avião para os deslocamentos, a empresa também doou R$ 100 mil para Baleia na eleição de 2010, e contratou a produtora A Ilha, também de Baleia, para a realização de vídeos institucionais.

A proximidade do ministro com a empresa é tanta que ele esteve no dia 1º de outubro do ano passado para anunciar aos sócios da Ourofino, Norival Bonamichi e Jardel Massari, que seria concedida a licença para a empresa vender o produto Ourovac Aftosa, vacina destinada à prevenção da febre aftosa. Rossi atribuiu o gesto "a uma questão de gentileza" e destacou que a empresa é a maior do setor em sua região. A Ourofino fica em Cravinhos, a 5 km de Ribeirão Preto.

Como prometido, a licença saiu no dia 17 de outubro e a empresa entrou em um mercado disputado por menos de dez fabricantes. Só em maio deste ano a divisão de saúde animal da empresa registrou aumento de 81% em seu faturamento, saltando de R$ 16,4 milhões para R$ 29,7 milhões. O ministro nega que tenha havido favorecimento.

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