Rota mata rapaz que roubou R$ 11

Jovem, que foi reconhecido por um frentista de posto, levou três tiros no peito; PMs alegam que houve tiroteio

Carina Flosi, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2008 | 00h00

O adolescente Johnny Filipe da Silva, de 17 anos, foi morto ontem por dois policiais das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), com três tiros no peito, ao roubar R$ 11, uma calculadora e um relógio de um frentista em um posto de gasolina na Rua Harry Dannemberg, em Itaquera, zona leste. Segundo a Polícia Militar, Silva e um amigo iniciaram o tiroteio. Nenhum policial ficou ferido. Ontem, a PM esclareceu que instaurou inquérito para apurar "as circunstâncias em que aconteceram os fatos". A família do adolescente diz estar assustada. Na delegacia, um amigo contou que Silva trabalhava e não tinha passagens pela Fundação Casa. "Precisava matar com três tiros no peito? Por que não atiraram na perna?", perguntou uma parente. Johnny foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) como desconhecido, mas a família diz que ele saiu de casa, às 17 horas, com os documentos. O caso foi registrado como roubo e resistência seguida de morte. Os PMs aparecem como vítimas no boletim de ocorrência 2.428, instaurado no 53º DP (Parque do Carmo). O delegado-titular Edson Leal se recusou a dar entrevistas. Segundo o frentista Sebastião Marques da Silva, de 41 anos, às 20h30, Silva e o amigo o renderam e anunciaram o assalto. "Eu avisei que o caixa do posto estava fechado. Eles não desistiram, me revistaram com a arma apontada para mim e tiraram os R$ 11 do bolso da jaqueta", afirmou. Ontem à tarde, o frentista disse que um cliente estava ao seu lado, mas não foi roubado. "Depois eles foram embora a pé. Acho que alguma testemunha chamou a polícia. Meia hora depois, os PMs vieram me buscar para eu reconhecer o corpo no Hospital Santa Marcelina. Era ele, sem dúvida", afirmou o frentista. Os dois PMs disseram que Silva e o amigo fugiram quando a viatura se aproximou e se esconderam em um prédio em construção abandonado que fica na mesma avenida. Lá, os rapazes teriam iniciado o tiroteio. Ao revidar, os PMs mataram Silva. O amigo dele fugiu. Em estado gravíssimo, o rapaz foi levado pelos PMs ao pronto-socorro do Santa Marcelina. Morreu logo depois.Com ele, os PMs acharam o dinheiro e a calculadora do frentista. "O relógio que ganhei no Dia dos Pais dos meus filhos não foi achado. Uma pena, mas sorte que os ladrões não revistaram meu bolso de trás da calça. Tinha R$ 350, dinheiro para eu pagar prestações", disse a vítima.O revólver supostamente usado no assalto foi levado ao DP. A polícia disse que foi feito exame residuográfico para verificar se havia pólvora nas mãos de Silva.

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