Rota prende 18 do PCC em escola de samba; grupo planejava atentado

Bando reuniu-se na Barroca Zona Sul, que nega envolvimento no caso; um preso ainda tentou subornar os PMs

Marcelo Godoy, Josmar Jozino e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2009 | 00h00

Uma operação da PM levou à captura de 18 suspeitos de pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo ia se reunir na quadra da escola de samba Barroca Zona Sul, na Avenida Professor Abraão de Morais, na Água Funda, zona sul de São Paulo. Eles planejavam um atentado no litoral de São Paulo e após a prisão ainda tentaram subornar os policiais militares. Com os acusados foi apreendido um mapa de Itanhaém, com a indicação de um possível alvo. A escola negou envolvimento com o grupo.Dos presos, sete eram procurados pela Justiça por causa de crimes como roubo, tráfico de drogas e homicídio. Um oitavo acusado foi autuado em flagrante sob a acusação de tentativa de corrupção dos policiais militares. Os PMs levaram todos os detidos à 2ª Delegacia Seccional, na zona sul. Os 18 suspeitos ficaram presos em flagrante sob a acusação de formação de bando ou quadrilha.A descoberta da ação dos criminosos foi possível por meio de uma investigação feita pela inteligência da Polícia Militar. Os policiais estavam atrás de um suposto integrante da facção, quando receberam a informação de que ele ia se encontrar com os comparsas na quadra da escola de samba, que fica perto da Rodovia dos Imigrantes. Dali o grupo pretendia descer para o litoral.Os movimentos dos suspeitos foram acompanhados pelos policiais, que resolveram intervir quando comprovaram a realização do encontro. Para efetuar a prisão, a PM mobilizou os homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Um grupo de dez carros, com 40 homens do batalhão, foi enviado às 11 horas à escola de samba para fazer as prisões."Quando nós chegamos, havia alguns suspeitos em carros, outros na porta da escola e outros dentro da quadra", afirmou o tenente Luis Humberto Caparroz, da Rota. Homens que estavam em quatro carros - um Gol, um Civic, um Corsa e um Clio - tentaram fugir na direção da rodovia, mas os veículos acabaram cercados por uma viatura da Rota.Houve ainda correria na escola. Ao todo, os PMs detiveram 24 suspeitos, mas seis deles foram logo liberados, pois não tinham nenhuma relação com a facção. Os demais foram levados para a 2ª Delegacia Seccional, na zona sul.SUBORNOEntre os presos estava José Marques da Silva. De acordo com o tenente da Rota , ele ofereceu suborno de R$ 10 mil para os policiais do batalhão, que apreenderam ainda dólares e euros. Os policiais recolheram também 35 telefones celulares com os acusados. A agenda e a lista de chamadas dos aparelhos serão analisadas. "A Polícia Civil deve continuar com a investigação sobre esse grupo", contou o tenente.O grupo que pretendia se reunir na escola de samba ia para o litoral sul do Estado em pelo menos sete carros - todos eles foram apreendidos pelos policiais. Nenhum tinha queixa de roubo ou furto. Com os acusados não foi encontrada nenhuma arma ou munição.Dois dos acusados, segundo a Rota, estavam usando documentos falsos. Eram José Elias Andrade, o Baiano, e Jorge Luis dos Santos. Eles deviam ser autuados em flagrante pelo uso do documento falso. Além deles, também permaneceram presos Oslair Oliveira Lima, Alex Claudino dos Santos e Luis de França e Silva. "Alguns dos presos disseram informalmente que eram da facção", disse o tenente.As prisões de ontem não foram as primeiras de integrantes da facção que frequentavam escolas de samba de São Paulo. Por enquanto, ficou provado, segundo a Rota, apenas que a quadra da escola seria usada pelos criminosos para a reunião.De acordo com o tenente da Rota, é difícil saber quem seria o líder do grupo, pois "todos possuíam elevado grau de periculosidade". Segundo ele, alguns dos bandidos que iam participar da reunião não haviam ainda chegado à escola no momento da ação da Rota. O golpe dado pelos PMs da Rota no PCC ocorreu um dia após o coronel Álvaro Batista Camilo assumir o comando da corporação. Ele prometeu aumentar a repressão ao crime organização, até mesmo monitorando integrantes da facção que acabaram de cumprir suas penas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.