Rotas alternativas criam paradas ilegais em ruas pequenas

Grande parte dos ônibus se acumula nas vias em volta da área de restrição

, O Estadao de S.Paulo

13 Agosto 2009 | 00h00

Precisando chegar aos pontos de embarque e desembarque de centros como as Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima, os ônibus fretados criaram as próprias rotas alternativas para fugir dos 70 km² da ZMRF. Grande parte deles acabou caindo nas vias que contornam a área de proibição, como a Marginal do Pinheiros, do Tietê e a Avenida dos Bandeirantes. Outros, no entanto, preferiram fugir dos congestionamentos dos grandes corredores atravessando bairros predominantemente residenciais e causando transtornos aos moradores.Além disso, já que não podem circular na Faria Lima, os fretados procuraram o local mais próximo dessa via para trafegar e ali criaram um ponto informal de desembarque, no meio da rua. A reportagem flagrou fretados parando no meio da Deputado Lacerda Franco. Esses veículos saem da região da Paulista e descem para Pinheiros principalmente pela Rua Cardeal Arcoverde, onde viram para pegar a Lacerda Franco. Em aproximadamente 30 minutos que a reportagem permaneceu no local, 11 ônibus pararam para desembarque. Um deles foi mais longe e parou no corredor de ônibus da Cardeal, prejudicando o transporte urbano.ALTERNATIVASA reportagem do Estado realizou levantamento com os cinco principais sindicatos e associações de empresários de fretados sobre mudanças nas rotas dos veículos. As vias do entorno da ZMRF foram apontadas como principais caminhos, principalmente a Avenida dos Bandeirantes para quem vem do sul e Avenida do Estado para quem chega pelo lado leste. Os ônibus que fazem a linha zona leste-Paulista, por exemplo, seguiam pela Radial Leste, passavam pelo Ipiranga até caírem na Consolação e Avenida Paulista. Agora, os veículos têm de pegar a Avenida do Estado antes de entrar na ZMRF e contornar a área até a Marginal do Tietê. Depois seguem até a ponte de acesso à Avenida Sumaré, onde entram para o ponto de embarque e desembarque na estação do metrô. "O caminho pelas Marginais é mais demorado e depois o trânsito fica grande na Sumaré. Mas é a opção que temos para atender os clientes que trabalham na Paulista", diz o diretor da Assofresp, Geraldo Maia.O acesso pela Avenida Sumaré, no entanto, é o que mais tem provocado reclamações de moradores. Em média, 150 ônibus fretados utilizam por período esse ponto de embarque e desembarque. "Nossas ruas não têm estrutura para receber esses ônibus. O bairro, predominantemente residencial, virou a sucursal da rodoviária", diz a aposentada Ana Maria Ferreira, da Rua Capote Valente.Os moradores da Capote Valente e da Rua Anália de Noronha fizeram até abaixo-assinado para o prefeito Gilberto Kassab (DEM). "Os fretados estacionam até em praças, esperando os passageiros chegarem do metrô no fim do dia", disse a arquiteta Lucila Lacreta, presidente da Associação Amigos do Jardim das Bandeiras, que pediu à CET para que reestude a circulação de ônibus na região.O uso de vias pequenas por fretados atingiu outras regiões da cidade. No ponto da Rebouças (Rua Ofélia), os taxistas contam que precisam deixar o local nos horários de pico. No entanto, o impacto maior acontece quando esses fretados precisam fazer um "looping" para retornar à Marginal do Pinheiros, passando pela Rua Ibiapinópolis e depois pela Rebouças. O volume de fretados prejudica os moradores e também a saída do Shopping Eldorado. A direção do Eldorado já se reuniu com a Subprefeitura de Pinheiros e a CET, pedindo modificações no tráfego da região.Outras rotas alternativas passam pela Pompeia, Perdizes e Alto da Lapa. A Avenida Pompeia acabou ainda mais congestionada pela manhã. No caminho até a Vila Madalena, as viações cortam ruas residenciais do Alto de Pinheiros. "E vamos continuar procurando rotas alternativas todos os dias", disse a diretora da Viação Romavan, Rosenilce do Espírito Santo. A empresa não usa o ponto próximo do metrô Sumaré por causa da demora no desembarque. No caminho até a Ponte da Cidade Universitária, os ônibus da Viação Santa Cruz vindos de Campinas também cortam o Alto de Pinheiros. Moradores do bairro também já apresentaram reclamações a associações locais.A CET afirma, em nota, que monitora as novas rotas e também o desempenho das vias utilizadas. "O sistema de fretados ainda está se adaptando às novas regras, adequando seus trajetos para atender às necessidades de clientes e das restrições de circulação". RENATO MACHADO e VITOR HUGO BRANDALISE

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