Rotina de trabalho de controladores começa a ser investigada

O procurador geral do Trabalho da 10ª Região, Maurício Correia de Mello, afirmou não haver no momento nenhum indício de que as condições de trabalho dos controladores de vôo sejam inadequadas. Depois de uma reunião de 45 minutos com representantes dos trabalhadores, com o presidente da Associação Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, e o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, Correia de Mello ressaltou que as investigações sobre a rotina dos trabalhadores ainda estão em fase inicial."Mas o representante dos trabalhadores não trouxe informações de que as condições sejam ruins." Ele considera que, a primeira vista, a questão parece muito mais uma pressão para criação da carreira do que falta de condições de trabalho. "Mas isso não está descartado. Estamos ainda muito no começo", completou.Depois da crise deflagrada na semana passada, que culminou no caos em aeroportos de todo o País, o Ministério Público do Trabalho abriu uma investigação sobre as denúncias de condições inadequadas de trabalho dos controladores de vôo. Nesta segunda-feira, 6, na primeira reunião para colher informações, Correia de Mello também ofereceu-se para participar da intermediação de um acordo entre Anac, Infraero e trabalhadores.O procurador contou que até o início do movimento, não havia chegado nenhum tipo de reclamação de trabalhadores sobre as condições inadequadas de trabalho. "Mas não está descartada a realização de inspeções", disse. Ele observou, porém, que o assunto é bastante delicado e exige uma investigação detalhada, cuidadosa. Ele adiantou que vai solicitar informações complementares ao comando militar. "Se percebermos que as condições não são adequadas podemos tomar alguma outra decisão." Tal tarefa será mais fácil no caso dos estatutários. No restante, disse, será preciso uma análise mais cuidadosa.Novos controladoresOs aeroportos do País tiveram nesta segunda um dia de normalidade devido à chegada de novos controladores de vôo ao centro de operações de Brasília. Desde a manhã desta segunda, 15 novos controladores começaram a trabalhar, após serem submetidos às 30 horas de treinamento. Mais quatro controladores estão sendo transferidos de outros Estados, para se somar aos de Brasília.Aliado a este esforço, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, pediu aos comandantes de área que façam um esforço em casa setor, liberando pessoal para ajudar a suprir a carência ainda existente na capital. Após o acidente da Gol, quando oito controladores que estavam diretamente envolvidos com a operação do vôo foram afastados, como é praxe, outros dez entraram de licença por causa do estresse.Com a chegada destes novos operadores, de acordo com a Aeronáutica, o esforço concentrado convocado pelo brigadeiro Bueno, na quinta, 2, quando suspendeu as folgas e chamou todos para integrar a força-tarefa, volta ao sistema normal. Segundo a Aeronáutica, os controladores de Brasília voltam a trabalhar com cinco equipes em três turnos de serviço, cada turno de oito horas, com folga no quarto dia de trabalho. Neste esquema são mobilizados 150 controladores do Cindacta, já que cada equipe é de 30 homens.

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