Rotina heavy metal para ir do francês para o italiano

Da escolha do menu à trilha musical, Novak opinou sobre tudo e demitiu 2 arquitetos antes de abrir o Tappo

O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

Para quem é fanático pelo blues econômico e preciso de B.B. King e Robert Johnson, os últimos oito meses do chef paulistano Benny Novak foram quase heavy metal. Ao lado do seu sócio Renato Ades, ele procurava um espaço na cidade para abrir um outro bistrô francês quando o empresário André Almada lhe ofereceu o minúsculo ponto na Rua da Consolação, número 2.967, onde funcionaram os extintos Namesa e Mercadinho. Na hora, Novak mudou os planos e decidiu abriu ali um restaurante italiano. Da escolha da fazenda que forneceria os pratos de salumeria até a seleção das 140 músicas que fazem parte da trilha sonora, o chef deu pitacos em tudo. Foram muitas reuniões, 12 trocas de cardápios e dois arquitetos demitidos até a inauguração da casa, há duas semanas. "Foi muito legal mudar um pouco de cozinha, sair da francesa para a italiana", afirma Benny Novak, enquanto a música Bennie and the Jets, de Elton John, toca nas caixas de som da Tappo Trattoria. "Acho que está sendo ainda mais divertido."De família judaica, Novak lembra que sua mãe, Amália, foi uma das principais razões para ele gostar tanto de cozinhar. "Mãe judia é aquilo né... A mãe italiana diz: ?come meu filho, senão eu te mato?. Já a mãe judia não cansa de repetir: ?come meu filho, senão eu me mato!?", relata. Depois de três anos na faculdade e mais oito anos trabalhando com o pai, Novak decidiu levar as panelas a sério e passou 14 meses na famosa escola de culinária Le Cordon Bleu, em Londres. Quando voltou, fez estágio no Cantaloup, no D.O.M. e no próprio Namesa (ambos de Alex Atala). A carreira em São Paulo, no entanto, deu uma freada por força de um incidente que fez o chef criar uma relação de amor e ódio com a cidade. "Estava em um restaurante japonês na Liberdade, quando rolou um assalto e eu fiquei com uma arma na cabeça", conta. "Na mesma época, minha mulher foi convidada para trabalhar em Miami e não pensamos duas vezes. A violência é o que estraga São Paulo. Voltei de Miami depois de um ano, com uma segurança maior em mim mesmo. Foi justamente o que me fez abrir o Ici. Às vezes, tomamos ações que nunca sabemos no que vai dar. Até agora, tem dado certo."

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