Roubo de aviões: Aeoronática em alerta máximo

Preocupado com a ação de traficantes que já roubaram sete aviões nos últimos dois meses em pequenos aeroportos e fazendas de cidades próximas às fronteiras, a Aeronáutica colocou em alerta máximo os radares da região de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para tentar ajudar a Polícia Federal na localização das aeronaves. Um avião radar R-99 também foi deslocado para a área a fim de auxiliar nesta investigação. Para reforçar o controle da região, a Aeronáutica conclui até o final deste mês a transferência do Rio de Janeiro para Campo Grande de um esquadrão de defesa aérea. Serão mais 14 aviões Tucano, especializados em interceptação de aeronaves, para patrulhar a região.Autoridades da Força Aérea argumentam, no entanto, que de nada adianta reforçar o patrulhamento se não for regulamentada a chamada lei do tiro de abate, que permite derrubar aviões suspeitos que desobedecem ordens do patrulhamento aéreo. Sem a regulamentação da lei, aprovada há anos pelo Congresso, os militares podem perseguir o avião clandestino ou mesmo roubado, mas nada podem fazer se o piloto não obedecer a ordem de pousar. Hoje, quando aviões da FAB fazem esse tipo de interceptação, a maior parte dos pilotos clandestinos ignora a ordem da autoridade aeronáutica para descer e foge atravessando a fronteira. Pela lei, os pilotos militares que estiverem seguindo um avião clandestino deverão primeiro dar tiros de advertência se a aeronave suspeita não atender à ordem de pousar. O chamado tiro de abate só seria dado depois do segundo disparo de alerta ? e mediante autorização da autoridade militar que tiver recebido delegação do presidente da República para executar a missão. O assunto, no entanto, é considerado muito polêmico porque envolve negociação com os países vizinhos. A regulamentação da lei tem inclusive recebido pressão contrária dos norte-americanos.Nos últimos tempos, o governo brasileiro já tem reforçado o controle do espaço aéreo nas fronteiras do País. O esquadrão que está sendo instalado em Campo Grande será o terceiro desse mesmo modelo em bases aéreas de regiões fronteiriças. Os outros dois que já estão em operação, patrulhando a Amazônia, ficam em Boa Vista, Roraima, e em Porto Velho, Rondônia. Além de instalar bases e reforçar o controle do espaço aéreo com os R-99, a Aeronáutica também tem realizado operações e exercícios sem prévio aviso. A Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), por sua vez, informou que não está reforçando a segurança dos aeroportos que administra. Isso porque os roubos, que estão se tornando freqüentes, têm ocorrido sempre em aeroportos privados.A maior preocupação dos militares, neste momento, é com o aumento do número de roubos desse tipo. De acordo com os dados da Força Aérea, compartilhados pela Polícia Federal, os aviões são roubados para serem usados no narcotráfico. Os aviões escolhidos pelos ladrões normalmente ficam estacionados bem próximos às fronteiras ? os três últimos estavam em um hangar a 20 quilômetros da divisa com a Bolívia. De lá, eles vão para Colômbia, onde recebem pintura nova, têm suas características alteradas e passam a trabalhar clandestinamente.

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