DIEGO VARA/Agência RBS
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Rio Grande do Sul tem dia de protestos após parcelar salários

Policiais paralisaram parcialmente atividades e escolas fecharam; salário de julho de 48% dos servidores será pago em 3 parcelas

Lucas Azevedo, ESPECIAL PARA O ESTADO

03 Agosto 2015 | 21h14

PORTO ALEGRE - Porto Alegre e outras cidades do Rio Grande do Sul enfrentaram protestos de servidores estaduais nesta segunda-feira, 3. Algumas categorias, como os policiais civis e militares, paralisaram parcialmente as atividades e escolas ficaram fechadas no período da manhã. As manifestações foram motivadas pelo anúncio, feito na sexta-feira pelo governo do Estado, de que os salários de julho de 48% dos servidores seriam pagos em três parcelas. Novas manifestações estão previstas no Estado nos próximos dias.

Na capital, houve diversas manifestações dos funcionários da Segurança. Efetivos da Brigada Militar estavam a postos nas ruas, mas em número reduzido. No 9.º Batalhão da Brigada Militar, na Avenida Praia de Belas, familiares de policiais impediam que viaturas deixassem o prédio. Já servidores da Polícia Civil resolveram protestar na frente do Palácio da Polícia.

No início da manhã, servidores da Carris, empresa pública de ônibus da capital, aprovaram em assembleia paralisar os serviços por toda o dia, por causa da falta de segurança. As empresas privadas rodaram normalmente. À tarde, como a situação estava sob controle, os coletivos da Carris foram, aos poucos, saindo da garagem.

O mesmo aconteceu com as escolas. Muitas não tiveram aulas pela manhã. Representantes de diversas categorias, especialmente professores, protestaram na frente do Centro Administrativo do Estado, na capital. De lá, partiram para a frente do Palácio Piratini e causaram transtornos ao trânsito na região central da cidade.

Os bancos abriram normalmente, com exceção de algumas agências privadas.

Pelo Estado foram registrados diversos protestos. Em Santa Maria, na região central, cerca de 40 escolas da rede estadual ficaram fechadas. Lá, servidores da Brigada Militar, da Polícia Civil, da Superintendência de Assuntos Penitenciários (Susepe) e do Instituto Geral de Perícias (IGP) também fizeram manifestações contra a medida do governo estadual. O mesmo aconteceu em São Gabriel, na região da Campanha, onde a BR-290 foi interrompida pelos manifestantes.

Alternativa. No final da manhã, representantes dos servidores estaduais foram recebidos pelo chefe da Casa Civil do Rio Grande do Sul, Márcio Biolchi. Nenhuma alternativa ao parcelamento teria sido apresentada aos trabalhadores. Com isso, diversas categorias prometem novos protestos e paralisação. Os setores prometem se reunir para tratar de uma possível greve geral no dia 18.

Na última sexta, o governo comunicou o parcelamento de salários dos servidores alegando uma séria crise financeira. Foi depositado o valor de R$ 2.150,00 no dia 31 de julho, que deve ser completado com mais R$ 1 mil no dia 13, e o restante deve ser pago até o dia 25.

O parcelamento foi anunciado pelo secretário da Fazenda, Giovani Feltes. O governador do Estado, José Ivo Sartori (PMDB), não compareceu ao anúncio. Ele se preparava para viajar para o Paraná, para um compromisso particular.

O governador também não falou com os servidores ontem. Ele se manifestou somente por meio de uma rede social. No comunicado, Sartori afirma que “o governo do Estado, desde o início do ano, comunicou de maneira transparente e aberta a situação de gravidade das finanças públicas estaduais”. Ele afirmou ainda que “reconhece e respeita a legitimidade das manifestações sindicais” e que o governo do Estado “estará em contato permanente com o governo federal, organizações, sindicatos e equipe de governo para ultimar um novo conjunto de projetos de enfrentamento da crise”.

Déficit. Nesta segunda, tanto o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, quanto o da Casa Civil, Márcio Biolchi, defenderam o parcelamento como “medida insubstituível”, e sugeriram o aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Feltes afirma que o déficit das contas no mês passado foi de R$ 882,6 milhões, cerca de 90% do custo líquido da folha, que é de aproximadamente R$ 980 milhões. O quadro previsto para os próximos meses é de novo parcelamento de salários.

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