RS tem 168 municípios em situação de emergência

Foram incluídas as cidades Marcelino Ramos, Novo Tiradentes, Nova Alvorada, Tunas, São Jorge e Nova Ramada

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

05 de maio de 2009 | 18h26

O número de municípios do Rio Grande do Sul que decretaram situação de emergência por causa da estiagem chegou a 168 nesta terça-feira, 5, com a inclusão, na lista, de Marcelino Ramos, Novo Tiradentes, Nova Alvorada, Tunas, São Jorge e Nova Ramada. Nas regiões mais atingidas, o norte, o noroeste, o oeste e o sul, os agricultores lamentam a quebra da safra de milho e feijão e a queda na produção do leite. Em duas cidades há racionamento de água e em diversas outras as prefeituras abastecem as comunidades rurais com caminhões-pipa.

 

Os 21 municípios da região Celeiro, localizados na divisa com Santa Catarina e na fronteira com a Argentina vão suspender seus serviços públicos na semana que vem, mantendo, como exceção, o recolhimento de lixo e o atendimento à saúde. "Vamos poupar o que gastaríamos com transporte escolar, abastecimento de máquinas e energia elétrica e usar o dinheiro para emergências como a locação de equipamentos e a ampliação da distribuição de água", justifica o presidente da Associação dos Municípios da Região Celeiro (Amuceleiro) e prefeito de Vista Gaúcha, Claudemir Locatelli (PMDB). "As aulas serão recuperadas em julho".

 

Em Três Passos, município da mesma região, o vice-prefeito Elso Severnini (PP) diz que a situação é dramática e admite que a administração pode trocar o decreto de emergência por um de calamidade pública se a situação perdurar por mais algumas semanas. "Falta água para o consumo humano, para a criação de animais e as perdas na lavoura chegam a 60%", relata.

 

Os 20 municípios da vizinha Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR) também estão em situação de emergência, por motivos semelhantes. "A produção de leite caiu 50%", lamenta o presidente da entidade e prefeito de Santa Rosa, Orlando Desconsi (PT). No informativo conjuntural semanal que divulgou na quinta-feira passada, a Emater/RS calculou quebras de 9,0% na primeira e 15,7% na segunda safras do feijão e 18,8% na safra do milho.

 

Segundo Desconsi, os municípios da região terão de se adaptar à convivência com intempéries climáticas, como as sete estiagens que enfrentaram nos últimos dez anos. Para isso, a associação vai promover estudos que identifiquem as causas da falta de chuva, as culturas mais resistentes às estiagens e a necessidade de obras e projetos de irrigação. "Em outubro do ano passado vivemos situação de emergência por enchente; agora por estiagem", comenta, referindo-se à má distribuição das chuvas e à necessidade de construir reservatórios para reter água em situações de abundância.

 

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) racionou a distribuição de água em Erechim e São Valentim, no norte do Estado, e pode adotar a mesma medida em outras cidades gaúchas. Em Erechim, os moradores são abastecidos durante 14 horas e ficam outro período de 14 horas sem água. Em São Valentim, o abastecimento é interrompido das 12h30min às 17h30min e das 20h às 9h30min do dia seguinte.

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