Rua 25 de Março ganha segurança e cartão de crédito

Aumento do policiamento e parcelamento de compras em 6 vezes estão entre as novidades deste fim de ano

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2007 | 00h00

Os clientes da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, sabem que fazer compras na região é uma verdadeira batalha. Fica ainda pior se for sábado ou feriado prolongado, quando por ali passam 1 milhão de pessoas - o suficiente para lotar 12,5 estádios do Morumbi. Se não bastasse tanta gente assim, as ruas ainda têm calçadas estreitas, esburacadas e lotadas de ambulantes. O cenário é desolador. Mas este fim de ano promete ser melhor ou menos sofrido que os de anos anteriores. A União dos Lojistas da 25 de Março (Univinco) preparou um pacote de medidas que inclui o aumento de segurança nas ruas, facilidade de crédito aos consumidores, shows e estímulo à melhoria dos serviços. "O maior centro de comércio popular da América Latina tem de oferecer melhores condições para os consumidores", reconhece Miguel Giorgi Júnior, presidente da Univinco.Já há sinais de mudança nos arredores. Na quinta-feira, a cada 500 metros da Rua 25 de Março, havia uma viatura com um grupo de cinco PMs. Além do policiamento preventivo, os PMs passaram a fazer um trabalho que antes ficava apenas por conta dos fiscais da Prefeitura: o de recolher a mercadoria ilegal dos camelôs. Quando os fiscais partiam, os ambulantes voltavam às ruas. Agora a PM chega, recolhe os produtos e fica no local, inibindo o retorno dos comerciantes ilegais. E aí fica irreconhecível. Dá até para andar sem trombar em ninguém nas calçadas. "A Guarda Civil Metropolitana está recebendo o apoio das polícias Militar e Civil", explica o subprefeito da Sé, Mário Jordão. "A iniciativa vem dando certo. Esta semana vamos queimar 2 milhões de CDs piratas recolhidos lá."A presença dos policiais, porém, não significa sossego absoluto. Ela acaba, muitas vezes, em confronto com camelôs, empurra-empurra e pânico entre consumidores. Quando isso acontece, o ideal é entrar numa loja e esperar a confusão passar. "No começo do ano que vem, vamos instalar cabines altas, iguais às da Avenida Paulista", diz Giorgi Júnior. EM SEIS VEZESOutra novidade é o cartão de crédito da 25 de Março. Há três meses no mercado, ele dá direito a compras parceladas em até seis vezes sem juros, em 200 dos 1.500 estabelecimentos da região. E o cartão sai na hora. A região começa a passar pelo mesmo processo de transformação da Rua José Paulino, no Bom Retiro - que recebeu lojas confortáveis e estruturadas como de shoppings nos últimos cinco anos. Hoje na 25 de Março é possível achar algumas casas com ar-condicionado e bem decoradas. A Dandasha, especializada em acessórios e objetos de decoração orientais, por exemplo, tem espelhos com molduras douradas, tapetes com motivos persas, narguilés (também conhecidos como hookah, shisha e arguile) e lamparinas árabes. A música ambiente se alterna entre a árabe, a egípcia e a grega. As vendedoras são adolescentes moderninhas, simpáticas e educadas. Nem parece a 25 de Março. Na maioria das lojas, porém, não há ainda preocupação com o visual das vendedoras nem com a qualidade do atendimento. São tantos os consumidores que os vendedores não se esforçam nas vendas. Nas caixas, formam-se filas longas de clientes - de todas as classes sociais, da sacoleira à empresária. Tudo em nome do bom preço.

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