Rua "climatizada" faz sucesso no Rio a 40 graus

O Rio teve nesta sexta-feira o dia mais quente do verão, com máxima de 40,8 graus registrada na Praça Mauá, no centro da cidade. Mas, para quem estava no calçadão de Bangu, na zona oeste, um dos recordistas em calor do Rio, a temperatura estava mais amena.Principal pólo comercial da região, o calçadão conta, desde o dia 12 de dezembro, com o primeiro sistema de refrigeração em vias públicas do País, que reduz o calor em até nove graus com vapor d?água. A novidade agrada aos moradores, que ganharam uma área de lazer, e aos comerciantes, que viram o movimento crescer em 30%.Enquanto os termômetros marcavam 40 graus fora do calçadão, debaixo da cobertura de onde sai o vapor a sensação térmica era bastante agradável. A água sai em gotículas e não chega a molhar os pedestres, que deram ao sistema o apelido de "pinga-pinga".A dona de casa Gisele Viviane Vieira da Conceição de Campos, de 22 anos, aproveitava para passear com o filho Bruno, de 4 meses. "Antigamente, era muito desagradável, era sol direto na cabeça. Agora é uma delícia."Gisele costuma ir até lá a passeio, mas sempre volta para casa com, pelo menos, uma sacola. "Fico sentada com meu filho e quando enjôo vou olhar as vitrines." Como Gisele, muitos freqüentadores acabam indo às compras nas 74 lojas espalhadas pelos 600 metros quadrados de área climatizada."As pessoas ficam à-toa e, quando se dão conta, já estão gastando. Tem gente que não leva na hora, mas volta para comprar no dia seguinte", disse a gerente de uma das lojas Selma Regina da Silva Lisboa.As mesas construídas no calçadão são usadas para jogos de cartas, que duram o dia inteir. As crianças se divertem se posicionando debaixo dos jatos. Aos 77 anos, Macionilha Pereira, cliente antiga das lojas do calçadão, aproveita a novidade para fugir do calor que enfrenta dentro de casa."Venho de Kombi e chego em cinco minutos. Isso aqui está uma maravilha, caiu do céu", disse, enquanto se refrescava ainda mais com um sorvete de casquinha. O "pinga-pinga", que custou R$ 170 mil, é composto por mil vaporizadores, que liberam 5 mil litros d?água por hora. Eles ficam a 2,5 metros de altura, pouco abaixo da cobertura de aço, e são abastecidos por um reservatório que fica no subsolo. Tudo é controlado por computadores.A climatização faz parte do projeto RioCidade, da Prefeitura, que também levou ao calçadão escadas rolantes, até a estação de trem, e acessos para deficientes físicos. O projeto total, que incluiu drenagem e pavimentação, custou R$ 20 milhões.Em seis meses, o bairro de Campo Grande, também na zona oeste, deverá ser contemplado com um calçadão climatizado. As obras começam em um mês.

Agencia Estado,

07 de fevereiro de 2003 | 22h02

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