Ruas da Vila Madalena vão virar bulevares

Plano orçado em R$ 1,2 milhão tem apoio de comércio e moradores

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

A Vila Madalena vai ganhar no próximo semestre o primeiro projeto criado especificamente para amenizar os problemas entre os bares e a vizinhança. Calçadas serão refeitas e mudanças urbanísticas se espalharão por dez vias dentro do quadrilátero formado pelas Ruas Wisard, Harmonia, Aspicuelta e Mourato Coelho. Orçado em R$ 1,2 milhão, o banho de loja deverá ser financiado em parte pela Subprefeitura de Pinheiros, que tocou o projeto em conjunto com empresários do bairro e moradores, e por uma grande fabricante de cerveja.A idéia é copiar a repaginação da Oscar Freire, nos Jardins, e da Avanhandava, no centro. Ambas tiveram as calçadas alargadas e contam agora com um novo paisagismo, bancado por empresas privadas. Em troca, os empresários da Vila Madalena envolvidos no projeto já entraram com pedido na Câmara Municipal para conseguir, durante o verão e feriados prolongados, um ''''alívio'''' nas leis que limitam o funcionamento dos bares na madrugada.''''Nessa área, queremos ter horários diferenciados e mesas nas calçadas até 3, 4 horas'''', diz Flávio Pires, dono de três casas na região e presidente da Associação de Gastronomia, Entretenimento, Arte e Cultura. ''''O paulistano está acostumado a sair de casa tarde, só que a lei não deixa a gente colocar mesas na calçada depois da meia-noite e temos de fechar as portas para não vazar barulho. Isso mata a noite de São Paulo. Queremos retomar a boemia.''''Outra mudança diz respeito ao tráfego das Ruas Aspicuelta e Wisard. Atualmente, elas têm mão dupla. O projeto prevê que a Aspicuelta só desça, no sentido da Rua Simão Álvares, e a Wisard suba, no sentido da Rua Harmonia. ''''As parcerias entre a Prefeitura e a iniciativa privada são um instrumento importante para revitalizar ruas comerciais e, dessa forma, manter a tradição da noite paulistana em locais seguros e confortáveis'''', diz o prefeito Gilberto Kassab (DEM).A intenção dos empresários é evitar que o bairro siga o exemplo de outra vila, a Olímpia, na zona sul. Lá, por pressão dos moradores que não agüentavam mais o barulho, as casas começaram a ser multadas uma atrás da outra, várias foram fechadas e hoje quase não há opções de lazer à noite.''''Os donos de baladas daqui nunca quiseram conversar'''', conta Valquíria Figueiredo, ex-presidente da associação de moradores do bairro, que mora em uma das vias que ficavam entupidas de carros às sextas e aos sábados de noite. ''''A gente não conseguia dormir. Teve até o caso de um morador da Rua Gomes de Carvalho que passou mal e a ambulância não conseguiu chegar a tempo - por causa do trânsito, ele morreu. Juntamos todos esse casos e começamos a pressionar a Prefeitura. Demorou, mas finalmente eu consigo dormir em paz.''''

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