Ruth Rocha nega apoio a Dilma e defende Serra

Relacionada entre intelectuais e personalidades que declararam voto na petista em manifesto divulgado no Rio, escritora classifica ato como ''desaforo''

Raquel Cozer e Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Incluída entre os artistas e intelectuais que assinaram um manifesto em favor da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, a escritora de livros infantis Ruth Rocha enviou anteontem a amigos e jornalistas um e-mail negando veementemente seu apoio à candidata.

"Eu não a apoio. Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo! Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma", escreveu a autora, que avaliou que o fato revela "falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT".

O esclarecimento aconteceu dias depois de José Padilha, diretor de Tropa de Elite, cujo nome também constava do manifesto, negar que o tivesse assinado.

Ao Estado a escritora reiterou que vota em Serra - aceitou inclusive gravar depoimento para a campanha do candidato do PSDB, disponibilizado na internet ontem. "Várias pessoas me ligaram e me avisaram que meu nome aparecia lá. O meio que eu tinha de responder era escrevendo para quem pudesse para esclarecer minha posição", disse.

O tradutor e escritor Eric Nepomuceno, um dos organizadores do manifesto, admitiu ser "um tremendo e lamentável equívoco" a inclusão do nome da autora. "Devo pedir desculpas à minha colega de ofício, com todo respeito que ela e suas obras merecem", escreveu em nota enviada por e-mail.

Segundo ele, após a convocação dos intelectuais e artistas foram recebidos "mais de 10 mil e-mails em menos de duas semanas, muitíssimos deles de pessoas anônimas. Entre eles, o de uma senhora chamada Ruth Rocha". Encarregado de buscar nomes do meio cultural, diz que "não pediu, nem procurou" a adesão "da Ruth Rocha escritora". "Evidentemente, alguém - impossível, neste momento, saber quem -, ao divulgar a lista de adesões viu esse nome e pensou que fosse a escritora." Ainda de acordo com Nepomuceno, a lista inicial de artistas e intelectuais incluía 120 nomes - hoje, ele diz, são mais de 400. O cientista político Emir Sader, outro coordenador do manifesto, não deu maior importância ao protesto da autora. "Essas coisas acontecem, como aconteceu do nome do Ivan Lins aparecer no manifesto pró-Serra, e ele não vai votar em nenhum dos dois."

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