Sabesp investe R$ 100 milhões contra o desperdício de água

De toda a água produzida e tratada pela Sabesp, 34% se perde todo dia. Praticamente metade dessa perda é conseqüência da rede velha e do sistema que gera muitos vazamentos ao longo da distribuição. Outra parte desaparece devido ao chamado roubo de água, o que inclui ligações clandestinas feitas tanto por moradias de populações carentes como também do roubo do produto. São aquelas em que a água é consumida, sem ser medida e contabilizada por causa de erros de medição, furtos e fraudes.Para diminuir esse prejuízo, a Sabesp anunciou na quarta-feira, 28, que, em 2007, serão investidos R$ 100 milhões no Programa de Redução de Perdas - ações de melhoria da rede e da qualidade do reparo feito pelos técnicos. Desse valor, 70% vão para a Região Metropolitana de São Paulo. O valor a ser investido nos próximos anos ainda não havia sido definido.Hoje, a empresa ligada ao governo do Estado produz cerca de 70 metros cúbicos de água por segundo. Desse total, são perdidos 19,38 metros cúbicos por segundo, ou 19.380 litros por segundo. Por dia é desperdiçado 1,6 bilhão de litros, quantidade suficiente para abastecer por 19 dias uma cidade como Diadema, com população estimada de 395.333 habitantes, segundo censo 2006 do IBGE, e que consome cerca de 83,3 milhões de litros por dia.ComparaçõesA perda de água em São Paulo diminui um pouco se for comparada com a de outros Estados, cuja média chega a 38,7%, segundo o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira. Mas se torna descomunal se comparada a empresas internacionais. Em Nagoia, no Japão, o índice de perda é de 4,5%. A capital, Tóquio, chega a 4,7% e a média nipônica é de cerca de 8%.O assessor técnico de desenvolvimento tecnológico da Sabesp, Américo Sampaio, contou que, depois da Segunda Guerra Mundial, os japoneses tiveram de trocar quase toda a sua rede de distribuição de água, danificada por bombardeios. ?Trocaram 8% das redes por ano. O que leva hoje a desperdício de apenas 8%, em média?, disse.Para controlar, combater e prevenir as perdas de água em vazamentos, a Sabesp também assinou convênio de cooperação técnica com a Japan International Cooperation Agency (Jica), agência que estabelece troca de experiências e tecnologias entre peritos japoneses e o corpo técnico da Sabesp por três anos. Focado no combate e prevenção das perdas em vazamentos, o projeto será aplicado inicialmente em duas áreas: no Guarujá e na zona oeste de São Paulo. O programa custará US$ 2,46 milhões (cerca de R$ 5 milhões), sendo US$ 1,55 milhão arcado pela Jica e US$ 905 mil pela Sabesp.?O objetivo é baixar as perdas em 15% até o ano 2010 e chegar a 20% abaixo da média nacional?, afirmou Gesner Oliveira. Para Masahiro Kobayashi, coordenador-geral para Cooperação Técnica do Japão no Brasil (Jica-Brasília), ?é preciso envolvimento desde o presidente da Sabesp até o trabalhador terceirizado que faz reparos na rede?. Em 1995, o índice de perda era de 44%.Hoje, a Sabesp mede as perdas de sua produção por método novo, que identifica os litros por ligação por dia. Em geral, as perdas são calculadas pela diferença entre o volume de água tratada e o volume medido nos hidrômetros dos consumidores finais. Na Região Metropolitana de São Paulo, segundo a empresa, esse índice é de 543 litros por ligação por dia, número similar ao de 2006, quando foram registrados 546 litros por ligação por dia. ?A meta é diminuir bastante até 2010?, disse a secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena.A meta do governo paulista é atingir 450 litros por ligação por dia na região metropolitana até final de 2010 e 278 litros por ligação por dia nos sistemas regionais, no Interior do Estado. Números:>> 1,6 bilhão de litros são desperdiçados diariamente no Estado, o suficiente para abastecer por 19 dias uma cidade como Diadema, de 395.333 habitantes;>> 37% de perda é a média dos outros Estados brasileiros, maior do que o desperdício de São Paulo, que atualmente é de 34%;>> 4,7% de desperdício é a média de Tóquio, no Japão, país onde a perda total é de 8%;>> R$ 5 milhões custará o convênio de cooperação técnica entre a Sabesp e os peritos da Japan International Cooperation Agency (Jica) para diminuir as perdas de água.Colaborou Thalita Pires.

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