Sabesp vai firmar PPP para abastecer a Grande São Paulo

Sabesp quer R$ 300 mi para ampliar Alto Tietê e afastar risco de falta d’água

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 13h03

Para atenuar o problema de abastecimento de água dos 20 milhões de moradores da Grande São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) vai firmar a primeira Parceria Público-Privada (PPP) do País nesse setor. O projeto será divulgado em audiência pública na quinta-feira, 21.A proposta, obtida com exclusividade pelo Estado, prevê aumentar a capacidade de produção do Sistema Alto do Tietê dos atuais 10 mil para 15 mil litros por segundo, o que evitaria problemas no abastecimento por sete anos.Os técnicos têm pressa, porque a situação na Grande São Paulo está no limite, com a produção no mesmo nível do consumo. "É nossa última opção. O Alto Tietê é o único manancial que ainda pode ser explorado na região", disse o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato. Com previsão de conclusão em 2010, a ampliação vai custar R$ 300 milhões. "É a obra mais estratégica dos últimos anos", disse o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira.O projeto prevê a ampliação da estação de tratamento de Taiaçupeba e a construção de 17,7 quilômetros de adutoras que levarão a água para quatro novos reservatórios. Eles terão capacidade de armazenar 70 milhões de litros - hoje o Alto Tietê reserva 517,3 milhões.A decisão de investir no Alto do Tietê veio depois que a Sabesp concluiu que a retirada de água do Vale do Ribeira, na divisa de São Paulo com Paraná e considerado Patrimônio Natural da Humanidade, seria cara demais e inviável do ponto de vista ambiental. O Alto Tietê é um dos poucos locais da Grande São Paulo com quantidade considerável de água limpa, a última opção de reservatório localizado integralmente no Estado. Tem área preservada de mata atlântica, baixo índice populacional e poucas indústrias potencialmente poluidoras. "Uma situação bastante diferente do Sistema Guarapiranga, que tem o tratamento de água mais caro do Brasil", diz Marussia Whately, da ONG Instituto Socioambiental (ISA).Para o educador ambiental do SOS Mata Atlântica César Pegoraro, mais importante que aumentar a produção é evitar o desperdício. Segundo a Sabesp, 40% da água produzida é perdida em vazamentos e ligações clandestinas. "O poder público tem a visão de que grandes obras resolvem o problema. Multa pesada para quem rouba água e uma campanha séria de conscientização seriam mais eficientes."

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