Sacolões chiques têm até sushi bar

Além de vender frutas, legumes e verduras, lojas abrem espaço para restaurantes, adegas e produtos sofisticados

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Que tal um sushi na quitanda? Ou um jantar no sacolão? Ou, ainda, um reforçado café da manhã entre frutas, verduras e legumes? Parece estranho, mas paulistanos criaram esse hábito, graças aos sofisticados hortifrútis que se espalham por bairros nobres. Versão moderna das quitandas, oferecem, além dos itens tradicionais, vinhos, queijos finos, pescados importados, carnes em cortes especiais, pães artesanais.Os produtos são dispostos em galpões amplos, iluminados, com ar-condicionado e decoração moderna. Com mimos para os clientes como serviço de manobrista e delivery. Isso além de lanchonete, restaurante e sushi bar."Cozinhei a vida toda. Agora, não quero mais saber disso", diz Maria Altair Monervino, de 74 anos, três filhos e seis netos, cliente da loja "premium" da rede de hortifrútis Oba, aberta em setembro em Moema. Todos os dias, ela almoça no restaurante da loja, com a vizinha e amiga Elza Dezan, de 84 anos, dois filhos, quatro netos e dois bisnetos. "Feira? Deus me livre! Fiz isso 30 anos, mas o tempo que se gasta e o trabalho... Não vale a pena", diz Elza.O restaurante com 120 lugares fica no mezanino, onde se chega pela escada ou em um elevador panorâmico com vista para os corredores no qual estão expostos 6 mil itens. Depois do almoço, as duas passeiam entre prateleiras. Levam chás, docinhos e frutas para saborear durante a tarde. "Antigamente, você tinha feira, quitanda, empório. Agora, é tudo junto. E ainda com restaurante, ficou mais prático", diz Maria.O cardápio do restaurante tem 35 saladas e 25 pratos quentes, como medalhões de filé mignon ao molho madeira ou almôndegas de soja e ervas para adeptos da cozinha natureba. O preço é de R$ 22,90 o quilo. Como acompanhamento, pode-se escolher um bom vinho da adega do sacolão - o cliente paga taxa de R$ 5 para degustá-lo no restaurante. O bufê de café da manhã custa R$ 9,90. Com outros 39 pontos, 6 deles na capital, a rede Oba repetirá o modelo de Moema em novo endereço, no Morumbi, com inauguração prevista para o início de 2008. Já a loja do Butantã ganhou adega, cachaçaria e charutaria. "É um supermercado com foco em frutas, legumes e verduras", define o executivo Rogério Casagrande, de 42, que na quarta-feira almoçava no local com quatro colegas. "As saladas são variadas e parecem mais frescas. E, na saída, acabo comprando alguma coisa."Entre os 10 mil itens do Natural da Terra, no Brooklin, há produtos orientais, laticínios, carnes especiais, flores etc. São cinco lojas, duas com restaurantes. "Levo sempre uma bandejinha de sushi para o jantar", diz a empresária Aparecida Gualhardo Cobo. A praticidade tem seu custo. "Alguns itens são mais caros que na feira. Mas é o preço do conforto." Ela freqüenta o hortifrúti a cada dez dias para abastecer a casa. Nas tardes de sábado, "passeia" entre as prateleiras com o marido. "É uma delícia."

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