Sadia, Martins e Accor formam empresa de logística

Duas companhias brasileiras, a Sadia e o atacadista Martins, se uniram ao gigante francês Accor para formar uma empresa especializada na distribuição de produtos e prestação de serviços para o segmento de alimentação fora de casa, que reúne restaurantes, bares, padarias e lanchonetes.Com investimento de R$ 32 milhões dividido proporcionalmente entre os três sócios, a nova empresa, ainda sem nome definido, começará a funcionar no segundo trimestre de 2002.A meta é faturar R$ 35 milhões no primeiro ano de operação e R$ 200 milhões no segundo ano. O novo negócio deverá se pagar ao fim do segundo ano. No começo, haverá 80 vendedores.Inicialmente, a empresa irá comprar e vender um conjunto de cerca de 650 itens que, até o fim de 2003, deverá subir para cerca de mil.A intenção é também fornecer serviços, como financiamentos para venda por meio do Tribanco, do Grupo Martins, e recrutamento de mão-de-obra, feito pelo Grupo Accor.O presidente da nova empresa, egresso da Sadia, Écio Borgomoni Paes Leme, explica que serão transacionados todos os tipos de produtos, desde itens descartáveis, até óleo de soja, arroz, feijão, artigos refrigerados, entre outros, das mais variadas marcas. Ficarão de fora refrigerante, cerveja e cigarro."Teríamos pouco a acrescentar porque os fabricantes desses itens vão direto aos bares, restaurantes e lanchonetes."Leme acrescenta que não há compromisso de só vender produtos da Sadia. "A relação com a Sadia termina no Conselho da nova empresa", diz o presidente.O diretor corporativo do Grupo Accor Brasil e presidente do comitê da nova empresa, Virgílio Veloso, diz que a intenção é aproveitar as "competências complementares" de cada sócio.O Grupo Accor, que movimenta R$ 5 bilhões, tem experiência no abastecimento de restaurantes, hotelaria, atendendo 5 milhões de consumidores diariamente.O Grupo Martins, com vendas anuais de R$ 1,5 bilhão, é o maior atacadista da América do Sul. A Sadia, que faturou no ano passado R$ 3,1 bilhões, tem 70 mil clientes.Num primeiro momento, o alvo dos negócios são clientes pequenos e médios, com faturamento mensal entre R$ 16 mil e R$ 120 mil localizados em uma parte da Região Metropolitana de São Paulo."Eles compram mais da metade do que faturam e gastam boa parte do tempo indo a fornecedores", diz Leme. Ele calcula que há 80 mil estabelecimentos que se encaixam nesse perfil. "Nosso objetivo é ter 30 mil clientes em seis anos", afirma o executivo.O que levou as empresas a montar essa nova companhia foi o promissor mercado do segmento de food service, diz Veloso. Tanto ele como Leme negam que que a ofensiva da indústria no segmento de food service seja uma saída para escapar da forte concentração do varejo que deixa a indústria em situação vulnerável nas negociações.No Brasil, 25% dos alimentos são consumidos fora de casa, enquanto nos EUA essa fatia é de 52%. Aqui o food service tem crescido a taxas de 17% ao ano. Os cerca de 800 mil estabelecimentos movimentam R$ 50 bilhões por ano. As compras equivalem a metade dessa cifra.

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