Sai extradição de Abadía para os EUA

Criminoso deve deixar o País dentro de uma semana ou dez dias

Rui Nogueira, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2008 | 00h00

Duas semanas depois de a Polícia Federal (PF) ter descoberto que o colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía articulava a formação de uma quadrilha dentro do Presídio de Campo Grande (MS), o governo federal determinou a expulsão do traficante do País, seguida de extradição para os Estados Unidos. As duas portarias, com as decisões do ministro Tarso Genro, da Justiça, foram publicadas na edição de ontem do Diário Oficial da União. Abadía deve deixar o Brasil, segundo o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma, "dentro de uma semana ou dez dias". Esse tempo é necessário para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos providenciar o esquema de segurança e de transporte do traficante e entregá-lo ao Judiciário e ao FBI, a polícia federal americana. Tuma confirmou que, antes de o ministro Tarso assinar as portarias de expulsão e extradição, o governo americano se comprometeu formalmente a cumprir a regra da cooperação penal internacional: a punição máxima do sistema judiciário brasileiro, que é de 30 anos, tem de ser respeitada pelo Judiciário americano. A decisão do ministro foi adotada com base em um parecer do secretário Tuma, recuando da posição inicial, que era obrigar Abadía a cumprir a pena de 30 anos no Brasil. "O combate ao crime organizado ganha mais aqui dentro, no Brasil, e lá fora com a extradição do traficante. Ele cumpriria pena e ficaria livre. Nos Estados Unidos, há um enorme rol de crimes, incluindo assassinatos, que permitem à polícia continuar as investigações. Ele pode vir a falar e dar muitas informações, por meio de algum programa de delação, e nós podemos nos beneficiar com detalhes sobre os negócios do traficante e seus parceiros no Brasil ainda desconhecidos", disse Tuma, justificando a decisão. Um dos comparsas do crime de formação de quadrilha era ninguém menos que o traficante brasileiro Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que também está preso em Campo Grande. As articulações de Abadía no Presídio de Mato Grosso do Sul foram descobertas pela Operação X, da Polícia Federal. LULA Ele planejava a fuga da prisão mediante extorsão e seqüestro de autoridades dos governos federal e estadual - até um filho de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) estava na lista de possíveis alvos do traficante. A extradição de Abadía não precisa mais passar pela sanção do presidente da República. Por delegação presidencial, o ministro pode tomar essa decisão sozinho. O governo dos EUA decide agora se transporta Abadía em vôo especialmente fretado para a missão ou embarca o traficante em um vôo de carreira - o que não é comum, por questões de segurança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.