Paraguay's Police / AFP
Paraguay's Police / AFP

Saiba quem é Marcelo Piloto, o líder do CV expulso do Paraguai

Traficante liderou crimes no Complexo de Manguinhos antes de fugir para o país vizinho. Lá, respondia por homicídio e falsificação de documentos

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2018 | 23h38

RIO - Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, foi preso no Paraguai em dezembro do ano passado. O traficante se mudou para o país vizinho após ter subido na hierarquia do crime organizado, passando a atuar como “matuto”, jargão para os criminosos responsáveis pelo fornecimento, no atacado, de armas e drogas do exterior.

Integrante do Comando Vermelho, maior facção de traficantes do Rio, Piloto chefiava o tráfico nas comunidades Mandela I, II e III e no Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio. Ele foi condenado a 26 anos de prisão pelo Tribunal de Justiça fluminense. Foi preso em 1998 e ganhou direito à progressão de regime para o semi-aberto em 2007, não voltando a se apresentar à Justiça e passando a ser considerado foragido.

Segundo o Portal dos Procurados, que auxilia a polícia a encontrar criminosos, ele andava sempre armado com pistolas e fuzis nas favelas, e cercado de seguranças. Além do tráfico, era envolvido num esquema de venda de casas do PAC, construídas com verbas federais. Tem anotações criminais por tráfico, homicídio, roubo e corrupção, entre outros crimes, e 22 mandados de prisão em aberto.

No Paraguai, estava preso por homicídio e falsificação de documentos, mas foi aberto um processo para sua extradição, atendendo a pedido do Judiciário brasileiro. No sábado passado, o traficante brasileiro foi considerado suspeito do assassinato de uma jovem mulher que o teria visitado, no grupamento especializado da Polícia Nacional, em Assunção, onde estava detido. Conforme o jornal paraguaio “ABC Color”, Piloto teria cometido o crime numa tentativa de evitar a extradição.

Conforme a imprensa paraguaia, o brasileiro teria usado uma faca de sobremesa para golpear seguidamente a jovem Lidia Meza Burgos, de 18 anos, que fora visitá-lo neste sábado. A vítima é da cidade de General Resquín, no Departamento de San Pedro. O assassinato da mulher foi confirmado pelo chefe do grupamento, Germán Real Medina.

No início do mês, Piloto já havia chamado atenção ao convocar uma entrevista coletiva no Paraguai. Ao lado de um advogado, procurou responder às acusações de que estaria por trás do planejamento de ações “terroristas” no país vizinho.

Na entrevista, Piloto reconhece que é traficante: “Sou sujeito homem para assumir meus atos. Não é novidade para ninguém que sou um comerciante ilícito, que vendo armas e drogas”. Nega, porém, planejamento de atos terroristas. “Terrorismo a nossa facção não aceita. Não existe ‘macanada’, como vocês dizem aqui. Carro-bomba, em Ciudad del Este, o pessoal que estava nessa coisa não é meu pessoal, não trabalha para mim, não tem vínculo comigo. Desafio a autoridade que está jogando essa culpa em mim a provar. Só ‘habla’, ‘habla’, ‘habla’ que é o Piloto, que é terrorista, e cadê a prova?”, afirmou o traficante, em português com algumas palavras em castelhano. /Colaborou Roberta Pennafort

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