Saída da Ceagesp acelera investimentos na zona Oeste de SP

A zona Oeste da cidade de São Paulo, mais precisamente os bairros da Lapa e do Alto da Lapa e seus entornos, passa por uma fase de grandes investimentos em lançamentos residenciais. Algumas mudanças, como a saída da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) da região para o Rodoanel, prevista para 2004; a instalação do Parque Villa Lobos e do shopping homônimo, nos últimos anos; e a proximidade com as duas principais vias da cidade, as marginais do Pinheiros e Tietê, têm favorecido este movimento.Os bairros, além disso, contam com muitas áreas verdes e boa infra-estrutura de escolas e comércio, que têm sido consideradas prioritárias pelos compradores de imóveis.Somente para este ano, estão previstos mais de 40 lançamentos residenciais verticais nesses bairros e seus entornos, o que tem causado aumento no valor do metro quadrado. "Quando lançamos o primeiro empreendimento na Lapa, o valor do metro quadrado era de R$ 1,6 mil. Agora é praticamente impossível ele ficar abaixo dos R$ 2,5 mil", afirma o gerente de incorporação da Gafisa, Marcelo Junqueira.A construtora tem grande conhecimento nos bairros da Lapa e do Alto da Lapa. Desde 1996, lançou 14 empreendimentos na região, que renderam cerca de R$ 220 milhões em valor geral de vendas (VGV). "Fomos uns dos primeiros a chegar", completa ele. De acordo com Junqueira, alguns empreendimentos lançados pela empresa nestes bairros tiveram suas vendas fechadas em tempo recorde.MigraçãoPara o gerente, a grande modificação na região tem gerado até um movimento "migratório" na cidade. Antes, pesquisas de perfil realizadas pela Gafisa indicavam que os compradores das novas unidades eram pessoas com ligação antiga com os bairros. "Agora, tem muita gente de outras regiões que está decidindo mudar para cá por causa desses benefícios", revela ele. Para este ano, a empresa ainda não definiu os lançamentos para a região, "algo que deve ocorrer somente no segundo semestre". A Gafisa negocia a compra de cinco terrenos nesses dois bairros. "A região, com certeza, está entre nossas três maiores prioridades."Outra construtora com atuação na zona Oeste é a Tecnisa. A empresa prepara dois lançamentos na região para este semestre e ainda não finalizou os estudos e compras de terrenos para o segundo semestre, mas este total deve, pelo menos, dobrar. "As vendas na região representam entre 30% e 35% do nosso faturamento total", afirma o diretor de novos negócios da empresa, Ricardo Leite Pereira.PerfilDe acordo com ele, os lançamentos, em sua maioria, serão de apartamentos de dois e três dormitórios, para compensar um desequilíbrio registrado no mercado no ano passado, quando mais da metade do valor total de lançamentos no município - R$ 4 bilhões - estava representada por imóveis de quatro dormitórios. "Isso é anormal. Há uma carência por imóveis menores", afirma.De acordo com ele, o mercado imobiliário se antecipou à saída da Ceagesp da região, mas são outros fatores que atraem novos moradores. "Os bairros não vão se verticalizar em excesso. Além disso, a maior parte é Z-1, o que torna a região mais atraente." Pereira, assim como os outros entrevistados, acredita que os moradores da região serão cada vez mais de classe média, média alta e alta. Sabendo disso, a Tecnisa não quer perder tempo. Cada terreno comprado já tem destino certo. "Compramos e queremos lançar os empreendimentos o mais rápido possível."LazerA Kallas, que está com cinco lançamentos previstos para a região até o final de junho, conseguiu um terreno diferenciado para a execução de um grande projeto na região. Trata-se de uma área de 11,4 mil metros quadrados, que abrigará quatro prédios e 400 apartamentos, sendo 16 deles coberturas penthouse. Os imóveis, de dois dormitórios, são voltados para a classe média e classe média alta. O grande diferencial do empreendimento, entretanto, está na área de lazer, dividida em quatro espaços distintos: lazer, água, forma e conteúdo e alegria."Compramos o terreno já faz um ano e meio, depois de acordos com diversos herdeiros", conta o diretor de incorporação da Kallas, Roberto Gerab, que acredita que o "boom" residencial na região se deve a uma conjunção de diversos fatores, como área verde, boa infra-estrutrura e lazer, com o shopping e o parque. Além disso, o fato de ser uma Z-1 garante um número menor de moradores por metro quadrado no empreendimento. "Podemos construir, no máximo, uma vez e meia a área total do terreno", afirma. Dos 11,4 mil metros quadrados, cerca de 9 mil serão área de lazer.De acordo com ele, o metro quadrado na região já se valorizou muito e será vendido, neste empreendimento, a um preço médio de R$ 2,1 mil para o apartamento normal e R$ 4,2 mil para as coberturas, que têm 200 metros quadrados. Os prédios deverão ser entregues pela construtora dentro de 26 meses.No total, a Kallas prospecta que as vendas dos lançamentos deste ano chegarão a R$ 100 milhões, pouco acima do triplo do obtido em 2001, de R$ 30 milhões. Atualmente, 90% dos negócios da empresa estão na região Oeste da capital. Para Gerab, serão necessários pouco mais de 60 dias para que as vendas dos imóveis estejam concluídas.Vizinhança feiaA Ceagesp é a maior companhia de distribuição de alimentos e flores da América Latina. Seus números são impressionantes: numa área de 700 mil metros quadrados, são vendidas mais de 10 mil toneladas de alimentos por dia e 6 mil de flores, num movimento de 60 mil pessoas, que deixam a cada mês cerca de R$ 150 milhões nas diversas barracas e galpões. Todos os dias, mais de 17,5 mil veículos circulam na região da avenida Leopoldina por causa da Ceagesp.O entreposto será transferido para uma área próxima do Rodoanel Mario Covas, entre as rodovias Raposo Tavares e Régis Bittencourt, e passará a se chamar Central Integrada de Abastecimento de São Paulo. Sua área será doada, pelo governo federal - a Ceagesp foi federalizada na última gestão de Covas à frente do governo estadual - para a Fapesp, que construirá um centro de tecnologia no local.Apesar de o paulistano se orgulhar destes números, quer viver longe deles. Para os executivos das construtoras, a saída da Ceagesp provoca imediata melhoria no trânsito e na poluição visual. "Além disso, a região tem muitos armazéns de estoque de várias empresas, o que causa sujeira", diz Junqueira, da Gafisa. Para ele, os armazéns deverão acompanhar a saída da central de abastecimento da região. "São áreas grandes que serão muito disputadas no futuro."Além disso, o fato de o futuro da área estar destinado a uma instituição de ensino agrada os vizinhos. "Todos gostam de morar perto de áreas com boas escolas", opina Pereira Leite, da Tecnisa.

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