Saída de Ciro põe irmão em saia justa no Ceará

Cid Gomes terá de escolher entre apoio do PT, que tirou deputado da corrida presidencial, e o de Tasso Jereissati

Carmen Pompeu, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

FORTALEZA

Após descarte pelo PSB nacional da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes à Presidência, as alianças dominam o debate no Estado. Irmão de Ciro, o governador Cid Gomes, candidato à reeleição, está diante de uma "escolha de Sofia": fechar aliança com o PT, que forçou a saída de Ciro, ou com o velho aliado, mas adversário de Lula, o senador tucano Tasso Jereissati.

Tasso acredita que somente no final deste mês haverá uma definição. Na sua avaliação, o impacto causado pela saída de Ciro Gomes da corrida presidencial "foi muito grande" e deixou "um vazio" no Ceará. "A gente tinha de deixar a poeira baixar para conversar agora", diz.

O PSDB cearense não sabe se deve apoiar, mesmo que informalmente, a reeleição de Cid ou lançar candidato próprio ao governo. O certo é que com o amigo Ciro fora do jogo, ficará mais fácil para Tasso fazer o que não fez em 2002: entrar de corpo e alma na campanha para eleger Serra presidente.

Naquele ano, os tucanos cearenses ficaram divididos entre Ciro, cuja raiz política é a mesma de Tasso, e Serra. O próprio Tasso foi acusado de fazer corpo mole e lavar as mãos diante da candidatura Serra por ter sido ele próprio preterido pelos tucanos.

Desta vez, Tasso mostra-se disposto a batalhar pelo candidato a presidente de seu partido, assim como fez com Geraldo Alckmin nas eleições passadas. "O palanque do Serra no Ceará sou eu. Sou candidato a senador. Vou rodar o Estado inteiro, seja qual for a aliança que vou ter. Aonde eu for, vou pedindo e fazendo campanha para o Serra", garante Tasso.

Ex-mulher de Ciro, a senadora Patrícia Saboya (PDT) também demonstra o desejo de montar com Tasso um palanque independente, sem candidato a governador, repetindo a dobradinha que os elegeu em 2002. Ela acredita na formação desse palanque independente, que apoie a reeleição de Cid, mas não a petista Dilma Rousseff. Para isso, terá de esperar qual rumo o PDT tomará nacionalmente.

"Rasteira". O deputado estadual Ivo Gomes, caçula de Cid e Ciro, não esconde a mágoa deixada na família com a decisão do PSB. Para ele, Ciro "levou uma rasteira", mas não será vingativo nem apoiará Serra. "Ciro seguirá a orientação do PSB nacional."

Ex-chefe de gabinete do irmão governador, Ivo é o articulador político dos Gomes. Com relação às alianças que a família pretende fazer para reeleger Cid, ele diz que vai aguardar o anúncio oficial de apoio do PSB à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

Ivo critica o que chama de monopólio da região sudeste - leia-se PT e PSDB de São Paulo - nas decisões políticas nacionais. E diz esperar que a pré-candidata do PV, Marina Silva, cumpra o papel de evitar que a campanha presidencial não seja "burra". Papel este, diz, que seria de Ciro.

Outro obstáculo à aliança de Cid com o PT, que o elegeu em 2006, são divergências com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, presidente do PT cearense. O partido quer duas vagas ao Senado, além de indicar o vice. Os Gomes também não engoliram o fato de Luizianne ter levado Dilma a Fortaleza, nos dia 12 e 13, sem avisá-los. Apesar de tudo isso, há entre petistas quem ainda acredite que a saída de Ciro reunirá PSB e PT na disputa pelo governo estadual.

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