Saída de Exército e entrada da polícia não muda rotina de violência no Rio

A rotina de violência não foi alterada nesta sexta-feira no Rio, apesar de a Polícia Militar ter ocupado os pontos policiados pelas tropas federais nas duas últimas semanas. De manhã, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o gerentede segurança do Hospital da Posse foi executado perto da unidade.À tarde, uma mulher morreu durante tentativa de assalto a um ônibus, na Avenida Brasil, depois que outro passageiro reagiu. Os dois assaltantes também morreram. Nesta sexta-feira foi o primeiro dia sem as Forças Armadas, depois da Operação Guanabara.Embora os casos de violência não tenham diminuído durante esse período, a população reclama da ausência das tropas. O comerciante Lúcio Roberto, que trabalha numa loja de ferragens na Tijuca ? bairro cercado por favelas que contou com o reforço dos militares ?, prefere as Forças Armadas à Polícia Militar.?Em frente à loja, existe uma barraca com PMs. Mas confio mais no Exército, porque a polícia é corrupta.? Alcides Rafael, gerente de uma loja de roupas masculinas na Tijuca que já foi fechada porordem de traficantes, disse que reza para os governos estadual e federal se entenderem para que a violência seja controlada. ?Com Exército, sem Exército, de alguma maneira, eles têm de resolver essa situação.?O Comando Militar do Leste (CML) considerou que as tropas cumpriram sua missão, o que foi manifestado em balanço da operação divulgado nesta sexta. Vinte e cinco pontos considerados estratégicos foram tomados pelo Exército do dia 28 de fevereiro ao dia 8 de março.A Marinha de Guerra ficou com nove pontos, e a Força Aérea, quatro. Depois do dia 8, o número dehomens foi reduzido. Os locais escolhidos foram as vias de grande movimentação da cidade. O CML informou ainda que as tropas poderão voltar às ruas caso sejam acionadas pelo Ministério da Defesa.O Relações Públicas da PM, major Frederico Caldas, informou que assim que os militares começaram a deixar as ruas da cidade, nesta quinta-feira, os PMs passaram a ocuparnão só alguns pontos em comum com os militares, como outras áreas de risco apontadas pelos batalhões.Segundo Caldas, essa mobilização da PM faz parte da Operação Rio Seguro e é por tempo indeterminado. Ele considera que só vai serpossível avaliar se a presença do Exército foi eficaz ou não no fim do mês, quando forem divulgados os índices de criminalidade.Entre as regiões críticas, segundo ele, estão a Baixada Fluminense, algumas favelas e as Linhas Vermelha e Amarela, além de pontos no interior do Estado. Carros da PM vão ficar parados 24 horas por dia nesses lugares. Caldas disse ainda que, durante o carnaval, as tropas trouxeram uma sensação de segurança à população, mas que issofoi motivado pela novidade.?No carnaval, o Exército mobilizou 3 mil homens. A PM colocou 26 mil nas ruas, mas só se falou dos militares porque é o inusitado, o que aspessoas vêem.?A violência desta sexta-feira foi a mesma registrada nos dias em que os militares participaram do policiamento. Em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, José Luis Carlos Campelo, de 48 anos, gerente operacional e chefe de segurança do Hospital da Posse, foi assassinado perto da unidade, nesta sexta de manhã.De acordo com a polícia, Campelo, que estava numa moto e ia para o trabalho, foi baleado por homensque estavam numa picape. Não se sabe a motivação do crime. No início da tarde, na Avenida Brasil, dois assaltantes e a passageira Márcia CristinaCorreia da Silva morreram quando um passageiro reagiu a uma tentativa de assalto. Ela era chefe do departamento de pessoal da empresa de ônibus Viação Bangu e estava indo pagar um conta num banco.Também ocorreram tiroteios em diferentes pontos do Rio. No Morro da Fazendinha, no complexo do Alemão, zona norte, o policial civil Vinicius de Freitas Carvalho, de 29 anos, foi ferido de raspão durante tiroteio com traficantes. Na favela Pica-pau, em Jacarepaguá, zona oeste, um traficante morreu.Durante a madrugada, Flávio Ferreira Figueiredo, de 17 anos, foi executado por dois criminosos quando estava no ponto de ônibus, com a namorada, no Fonseca, em Niterói. Testemunhas disseram que ele morreu porque se recusou a dar um cigarro paraum dos bandidos. Veja o especial:

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