Saída de Rossi é revés eleitoral para Temer

Ex-ministro é o encarregado de estruturar candidaturas do PMDB em São Paulo e perde força sem o poder do cargo; Kassab tenta ocupar espaço

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

A saída de Wagner Rossi do Ministério da Agricultura anteontem é o primeiro revés no projeto eleitoral elaborado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, para fortalecer o PMDB no Estado e aproximá-lo do PT. Por conta disso, o ex-ministro citou em sua carta de demissão "objetivos políticos" de adversários, no caso, a ala "quercista" do partido e o grupo alojado na prefeitura da capital paulista, comandada por Gilberto Kassab.

Outros destinatários também seriam o senador Aloysio Nunes Ferreira e o ex-governador Alberto Goldman, ambos tucanos egressos do PMDB de Orestes Quércia. Ontem mesmo, Kassab procurou dirigentes do PMDB em busca de ocupar o espaço deixado pela queda do ministro e se prontificou a saldar compromissos políticos futuros assumidos por Rossi. Segundo seus assessores, o prefeito voltou a sonhar com uma aliança entre o PMDB e seu PSD, partido a ser criado até o final do próximo mês e, para isso, precisa evitar que os peemedebistas lancem o deputado Gabriel Chalita a prefeito de São Paulo.

O PMDB terá cerca de três minutos em cada bloco do programa eleitoral de 2012.

Articuladores. Rossi e seu filho Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do PMDB paulista, eram os encarregados de articular apoios e montar a estrutura necessária para as pré-candidaturas e eventuais candidaturas do partido em 2012, especialmente entre o rico setor do agronegócio, muito forte no interior do Estado. No ministério, Rossi também utilizava seu poder de nomear e liberar verbas para cooptar dirigentes e prefeitos peemedebistas, historicamente divididos em São Paulo, ao projeto de Temer. Quando a força dos argumentos do pai não funcionava, Baleia destituía diretórios "rebeldes" e nomeava para seus lugares comissões provisórias atreladas ao vice-presidente.

Em privado, aliados da família Rossi e de Temer reconhecem que os adversários estavam ficando "sufocados" e atribuem a quase totalidade das denúncias contra o ex-ministro aos "órfãos" do governador Quércia, morto em dezembro do ano passado e que durante décadas controlou o PMDB paulista. Citam como exemplo o isolamento político do peemedebista Airton Sandoval, suplente de Aloysio.

Em 2008, Quércia atrelou o PMDB paulista a Kassab com a indicação de Alda Marco Antonio para vice-prefeita. No ano passado, ele repetiu a dose e incluiu no acordo o PSDB, apoiando José Serra para presidente e Geraldo Alckmin ao governo.

Após a morte de Quércia, Temer enxergou a oportunidade de controlar o espólio do antigo líder com a ajuda de Rossi e do PT paulista, presidido pelo deputado estadual Edinho Silva. Conforme o arranjo feito pelos dois partidos, o PMDB terá candidato próprio a prefeito de São Paulo, no caso, Chalita.

No segundo turno, esses petistas e peemedebistas estariam juntos contra o PSD de Kassab e ou PSDB de Alckmin.

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