Saída de secretários inaugura continuísmo da gestão Goldman

O vice-governador Alberto Goldman (PSDB) assume o Palácio dos Bandeirantes no começo de abril, aplicando à risca a máxima da "continuidade com continuísmo". Alterações, quase cirúrgicas, estarão restritas ao estilo de governar e à própria entourage do novo governador. Meramente pontuais, são mudanças provocadas, no geral, pela troca de cadeiras dos secretários, que deixarão os postos para disputar a eleição de outubro.

Análise: Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

O "benchmark" neste caso será mais Gilberto Kassab (DEM), ao assumir a Prefeitura de São Paulo com a saída de José Serra em 2006, do que Cláudio Lembo (DEM), que herdou o Palácio dos Bandeirantes de Geraldo Alckmin naquele ano. Embora com o tempo Kassab tenha colocado em seu governo nomes da sua confiança e esvaziado o poder dos tucanos, a princípio ele manteve o modelo serrista. Já Lembo enfrentou um esvaziamento da gestão e teve de lidar com graves crises, como na área da segurança, que serviram de munição para adversários na eleição.

Alguns dos secretários adjuntos que assumem as pastas a partir de abril já são próximos do futuro governador. É o caso, por exemplo, de Luciano de Almeida, que tocará a pasta do Desenvolvimento, no lugar de Alckmin. Almeida já era o adjunto de Goldman na secretaria antes de o ex-governador ganhar o posto, como resultado de uma ação de Serra para tentar unir o PSDB paulista.

Outro nome próximo do vice, que ganhará espaço na administração, é Flávio Chaves, assessor especial de Goldman. Ele é o nome mais cotado hoje para assumir a Casa Civil, com a provável desincompatibilização de Aloysio Nunes Ferreira, que poderá disputar o Senado na chapa PSDB-DEM-PMDB. Assim como Goldman, ex-PMDB, Chaves foi prefeito de Sorocaba pelo partido.

Outro adjunto que deverá assumir, este ligado aos tucanos, é Marcos Monteiro. Tesoureiro do PSDB, ele ficará com a Secretaria de Gestão Pública, com a saída de Sidney Beraldo. Para a vaga de Rita Passos, secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, poderá haver uma indicação da bancada do PSDB na Câmara Municipal.

Goldman, que será o titular do governo paulista durante nove meses, também terá como tarefa ajudar na articulação para a eleição estadual deste ano. Para isso, terá de estreitar a relação com Alckmin - Goldman era um dos que defendiam o nome de Aloysio para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Também caberá a ele engatar para a próxima gestão projetos prioritários de Serra, como o trecho leste do Rodoanel.

Amigo de Serra há mais de 30 anos, Goldman tem evitado fazer comentários sobre a transição. Aos mais próximos diz que o assunto só deverá ser colado em pauta com o anúncio oficial da desincompatibilização de Serra. Nos últimos dias, no entanto, já mandou sinais para alguns parlamentares da Assembleia de que chegou a hora de conversar. Disse a assessores que esta semana começará a definir alguns pontos da transição. Não por acaso, o início da movimentação do vice-governador, ainda que discreta, veio casada com declarações de Serra a um apresentador de TV, na semana passada, sobre sua candidatura à Presidência da República.

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