Saída dos papangus superlota cidade pernambucana

Festa do tradicional bloco, fundado nos anos 1930, é colocada em risco pelo grande sucesso

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

A fama adquirida pela brincadeira dos papangus (bloco surgido nos anos 1930, batizado assim porque os integrantes se alimentavam principalmente de angu) põe em risco a tradição do carnaval de Bezerros, no agreste, a 107 quilômetros do Recife. Com 60 mil habitantes, a cidade recebeu, ontem, cerca de 120 mil visitantes, de acordo com o prefeito Marcone Borba (PT). Em meio à multidão, os papangus - tradicionais ou não - se pulverizaram. A maioria deles se apresentou em grupos, com fantasias estilizadas, primando pela beleza e luxo, sob tema de flores, piratas, vampiros. O papangu original, com suas máscaras mais rústicas, feitas em papel machê, era figura rara. O percurso do desfile - em torno de 1,5 quilômetro da concentração, na BR-232, que corta a cidade, até a praça principal - estava tomado pela multidão antes da saída dos brincantes. As casas e o comércio colocaram mesas defronte a suas portas, para vender bebidas e comidas. Para dar conta do número crescente de turistas, a prefeitura colocou 16 orquestras de frevo na rua, e 200 pessoas vestidas de papangus receberam os visitantes. A preocupação é preservar a tradição. Por isso, pede aos visitantes que cheguem fantasiados. No palco principal, 34 atrações iriam se revezar. Entre elas, o multiartista Antonio Carlos Nóbrega e a Orquestra de Frevo da Bomba do Hemetério, sob a regência do Maestro Forró. Carismático, engraçado, com seus óculos escuros e bermudão, o performático Forró - Francisco Amâncio da Silva - usa o corpo como batuta e interage com o público. Com 32 anos, ele executa o frevo em vários ritmos, até como valsa. "É a defesa da tradição com a introdução de novos elementos", resume.

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