Saída provisória de presos pode aumentar crime, diz promotor

O promotor de justiça de execuções criminais Dimitrios Bueri diz que a saída provisória dos presos ajuda os presos a encontrarem novos caminhos de fuga. Segundo matéria do Estado de quarta-feira, centenas de presos da capital que cumprem pena no regime aberto vão poder passar 11 dias fora da prisão durante as festas de fim de ano - quatro dias a mais do que a lei permite para cada saída temporária. A decisão é do juiz-corregedor dos presídios da capital, Carlos Fonseca Monnerat. Para Bueri, a lei permite cinco saídas por ano de até sete dias. Bueri avalia que a liberdade por 11 dias é inconstitucional. Já Monnerat, entende que Natal é uma festa e Ano Novo, outra. "A lei permite cinco saídas por ano de até sete dias, o que dá 35. Neste ano, o total de saídas somará 31 dias", afirmou. A saída será das 8 horas de 22 de dezembro até as 17 horas de 2 de janeiro.Para o promotor Dimitrios Bueri, a medida vai aumentar a criminalidade. "Os bandidos estarão mais tempo na rua longe de vigilância e, nessa época, há mais gente nas ruas, com mais dinheiro no bolso", afirmou. Ele recorreu ao Tribunal de Justiça, mas o pedido de liminar foi negado. O mérito do recurso ainda será julgado.A preocupação de Bueri não é com ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas com a criminalidade comum. "Não há notícia de nada sendo articulado pelo PCC", disse. Segundo ele, o feriado de fim do ano concentra o maior índice de não retorno dos presos, em comparação com os outros.Para o defensor público Geraldo Carvalho, responsável pela assistência judiciária nos presídios do Estado, o promotor parte do pressuposto errado ao pensar que os presos vão sair da cadeia para cometer crimes. Segundo ele, a maioria sai para se reintegrar com a família.

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