Salas de hemodiálise são interditadas em Recife

Duas das três salas do setor de hemodiálise do Hospital Português, no Recife, foram interditadas nesta quarta-feira pela Secretaria Estadual de Saúde. Técnicos da Vigilância Sanitária constataram a contaminação por bactérias da água utilizada no serviço. O hospital detectou a contaminação nos dias 20 e 21, mas não informou - como deveria - à Vigilância Sanitária estadual, que soube do problema por meio de uma denúncia anônima.Nesse período 20 pacientes apresentaram choque pirogênico (calafrios) e há a suspeita de que a contaminação possa ter provocado duas mortes, ocorridas nos últimos 10 dias, de pessoas que faziam hemodiálise na instituição. A causa das mortes está sendo investigada. De acordo com a Secretaria de Saúde, os primeiros exames feitos na água pela Vigilância Sanitária após a denúncia foram considerados normais, mas as análises realizadas na terça-feira voltaram a apresentar contaminação por bactérias.O secretário estadual de Saúde, Guilherme Robalinho, decidiu então interditar o serviço (que já estava sendo alvo de investigação e monitoramento), providenciando a transferência de 98 doentes renais que eram atendidos no local para outras unidades de saúde. A direção do Hospital Português se pronuncia oficialmente sobre o assunto em entrevista coletiva marcada para esta quinta-feira.De acordo com informações da Secretaria de Saúde, o hospital teria explicado que não avisou sobre a contaminação porque achou que poderia enfrentar a situação, tomando providências como a vinda de técnico especializado de Curitiba que fez a revisão e limpeza de todo o sistema de tratamento da água. O secretário adjunto de Saúde, Tito Lívio, disse que este caso do Hospital Português não pode ser comparado ao episódio que ficou conhecido como "a tragédia da hemodiálise" - uma contaminação por algas na água usada pelo Instituto de Doenças Renais (IDR) de Caruaru, a 130 quilômetros do Recife, em 1996.Cerca de 60 pacientes renais do instituto morreram nos meses seguintes à contaminação. Cinco pessoas, entre eles três médicos donos do IDR, foram apontados como responsáveis pela tragédia - por omissão e negligência - mas não foram punidos até hoje.

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