Salgueiro vai dos monges copistas a Harry Potter

Com samba sobre literatura, atual campeã fez desfile equilibrado e impressionou com carro abre-alas

estadao.com.br,

15 de fevereiro de 2010 | 04h09

Carro abre-alas da escola se destacou com trapezistas

 

RIO - A atual campeã do carnaval do Rio de Janeiro foi a penúltima da noite a entrar no sambódromo. Com o enredo "Histórias sem Fim", a Acadêmicos do Salgueiro entrou na avenida para contar a história da literatura mundial, desde a invenção da prensa até os best-sellers de hoje.

  

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Assim como a Unidos da Tijuca, a escola apresentou uma comissão de frente que merece destaque, com monges copistas representando o início da reprodução da literatura, no entanto, a maior surpresa ficou com o carro-abre alas: mais de 50 componentes pulavam e faziam acrobacias nos trapézios do carro enquanto o desfile se desenvolvia. 

 

A escola apostou nas acrobacias. Os malabarismos vieram no abre-alas, que simbolizou o advento da escrita; no segundo carro, uma biblioteca tradicional; e numa ala muito aplaudida, com gorilas tão perfeitos que chegavam a dar medo. Só no abre-alas, a oficina de Gutenberg, havia 55 integrantes da Intrépida Trupe, além de artistas do Cirque Du Soleil. Eles passaram boa parte dos 82 minutos de desfile de cabeça para baixo, mas ainda assim cantavam o samba.

 

O carnavalesco Renato Lage tenta conquistar pelo Salgueiro, escola em que começou no carnaval carioca em 1977, seu sexto título de campeão. Responsável pela vitória em 2009, com o enredo sobre o tambor, Lage desta vez decidiu falar dos livros.

 

Monges copistas integram a Comissão de Frente

 

A escola foi dividida em sete setores e os principais estilos literários foram representados. As 36 alas e os sete carros alegóricos retrataram histórias épicas de heróis, mitos e deuses, romances de donzelas e cavalheiros, poesias das conquistas da navegação portuguesa, contos de fada e até ficções modernas, como o personagem de J.K. Rowling, Harry Potter.

 

Religião

 

A religiosidade foi um traço que permeou o desfile - a Bíblia, o Livro dos Espíritos e os escritos que norteiam os hindus foram lembrados em alegorias e fantasias. De clássicos de todas as épocas - de Os Lusíadas, Os três mosqueteiros, Don Quixote, Alice no País das Maravilhas e O Pequeno Príncipe aos brasileiros Memórias póstumas de Brás Cubas, O Sítio do Pica-pau amarelo e O diário de um mago - saltaram tipos como o navegador português, o coelho apressado e a desengonçada Emília - a boneca criada por Monteiro Lobato era o grande destaque do quarto carro, como uma enorme marionete.

 

A bateria notadamente nota 10 veio vestida de "Ali Babá e os 40 Ladrões" e, à sua frente, estava Viviane Araújo, a supercompetente rainha. De Sherazade, ela teve de dividir as atenções com Sabrina Sato, a musa futurista do Salgueiro, que saiu antes do sexto carro. As baianas encarnaram mães-de-santo saídas de "Tenda dos Milagres". De correntes rompidas e respirando liberdade, os escravos de "Navio Negreiro" fizeram uma bela coreografia. O jogo de xadrez de Harry Potter, sugestão da filha de Lage, foi outra ideia bem executada.

 

 

(Com Agência Estado e Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo, no Rio)

 

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