Salvador estica verão para evitar prejuízo

Governo cria alternativas culturais para manter turista após carnaval

Tiago Décimo, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 00h00

Depois de um verão tumultuado em 2007, marcado pela crise aérea que derrubou em cerca de 30% o fluxo de turistas, segundo os hoteleiros, o governo baiano e a prefeitura de Salvador lutam, agora, contra o calendário. "Tradicionalmente, o verão na Bahia acaba na quarta-feira de cinzas e, este ano, o verão é muito curto", afirma a presidente da Empresa Baiana de Turismo (Bahiatursa), Emilia Salvador Silva. "Quando eu era agente de viagens, lembro que não havia época de mais baixa estação do que as semanas seguintes ao carnaval. Nem o telefone tocava." Para tentar minimizar o impacto do carnaval prematuro na arrecadação do Estado e da capital baiana em particular - segundo dados da prefeitura, cerca de metade da arrecadação anual de Salvador é obtida durante o verão -, executivos uniram-se na criação do Projeto Espicha Verão. "Nossa idéia é recuperar, até março, os 30% de turistas que perdemos no ano passado, mesmo enfrentando esse problema com o calendário", afirma Emilia. "Para isso, estamos investindo cerca de R$ 1 milhão na criação de uma programação especial para nossos visitantes depois do carnaval." Segundo ela, cotas de patrocínio já custearam 50% dos investimentos. O principal evento para as semanas seguintes ao carnaval em Salvador é a Praia 24 Horas, na praia do Porto da Barra em três sábados de fevereiro e março (dias 16, 23 e 1º). "A programação vai começar às 8 horas de sábado e seguir até as 8 horas de domingo", diz Emilia. São previstas atividades esportivas de manhã e shows de bandas locais para entreter os visitantes à tarde. "No fim da tarde, blocos tradicionais de Salvador vão sair do Farol da Barra, trazendo a população para os shows da noite. Entre uma atração e outra, faremos exposições de artistas plásticos, mostras de culinária baiana, entre outras atividades." A programação dos shows musicais noturnos não está fechada, mas os temas das apresentações, sim. No dia 16, haverá homenagem aos 50 anos de criação de Gabriela, personagem de Jorge Amado. Quem vai comandar as homenagens é a família Caymmi. No sábado seguinte, a homenagem será aos 50 anos da bossa-nova e, no último dia, serão homenageados os 40 anos de Tropicalismo. "Os shows vão ser realizados em um palco montado sobre o mar, para que todos possam ter uma ampla visão", diz Emilia."Nossa preocupação foi montar uma programação para atrair visitantes, mas também para deixar a população local orgulhosa." A novidade repercutiu bem entre os moradores da região e os empresários do setor turístico. "O projeto mostra preocupação do poder público com o bairro", afirma a presidente da Associação de Moradores e Amigos da Barra, Regina de Oliveira Macedo.Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (Abih-BA), Hernani Pettinati, o projeto pode fazer que a lacuna deixada pelo "verão curto" traga menos prejuízos. "É uma ação oportuna, que aproveita o grande fluxo de turistas que veio ao carnaval de Salvador deste ano." Dados preliminares da Abih apontam para ocupação média de 95% nos hotéis da capital durante a folia baiana - índice 12% maior que o registrado em 2007 - e espera-se que o patamar alcance 80% durante o verão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.