Salvador vive 3º dia de protestos e desordem

Salvador tem hoje mais um dia de agitação devido a protestos de estudantes descontentes com o aumento da passagem de ônibus na cidade para R$ 1,50. É o terceiro dia seguido que a capital baiana tem suas principais avenidas bloqueadas por alunos de várias escolas. Os líderes estudantis haviam prometido evitar novos bloqueios numa reunião que tiveram na noite de terça-feira com representantes da Câmara dos Vereadores da cidade e a Prefeitura. Não foi possível, contudo, evitar que estudantes tomassem as ruas por conta própria. A maior parte da frota de ônibus ficou retida por barreiras formadas pelos estudantes. Em dois pontos da cidade, foram registrados conflitos entre os estudantes e policiais militares da tropa de choque. O novo valor da passagem de ônibus em Salvador passou a valer no último domingo. O presidente da Associação dos Estudantes Secundaristas, Roque Peixoto, disse que representa apenas 50 das 3.500 escolas de Salvador, indicando que por esta razão os protestos fugiram de seu controle. A depredação de ônibus se tornou comum: o Sindicato das Empresas de Transporte de Salvador divulgou que, até agora, 52 ônibus foram depredados.Reflexos na políticaOs distúrbios causados pelas manifestações estudantis provocaram um sinal de desacordo entre dois aliados políticos baianos, o senador Antônio Carlos Magalhães e o prefeito Antônio Imbassahy, ambos do PFL. Em editorial da edição de hoje, o jornal Correio da Bahia, que costuma expressar a opinião do senador, criticou duramente o prefeito. "É de estarrecer a falta de ação do prefeito Antônio Imbassahy diante do caos que se instalou na cidade após o anuncio do aumento das passagens de ônibus", diz um trecho do editorial, que também acusa o prefeito de não exercer sua "autoridade" para evitar a "baderna".

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