Giuseppe Lami/ EFE
Giuseppe Lami/ EFE

Salvadorenhos festejam canonização com papa

Assassinado com um tiro no peito por defender as vítimas da violência em seu País, d. Oscar Romero é canonizado 37 anos após sua morte

José Maria Mayrink, ENVIADO ESPECIAL

15 de outubro de 2018 | 16h46

VATICANO - Foi uma festa, alegre e descontraída, a audiência de 45 minutos que o papa Francisco concedeu na manhã deste domingo, 14, aos peregrinos salvadorenhos. Cerca de 5 mil pessoas, concidadãs de d. Oscar Romero, residentes em El Salvador e no exterior, agradeceram com palmas, vivas e muitos cânticos a canonização do arcebispo assassinado com um tiro no peito, em 24 de março de 1980, por defender as vítimas da violência em seu país.

“Santo Oscar Romero é a imagem do Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas”, disse o papa em sua saudação ao público de fiéis devotos, acrescentando que o arcebispo canonizado 37 anos após sua morte é um exemplo e um estímulo para os católicos por sua dedicação aos mais necessitados. Francisco afirmou que “cada católico deve ser mártir em testemunho da fé”.

Todos os presentes na Sala Paulo VI, local da audiência, pareciam muito emocianados. De El Salvador vieram 49 parentes próximos do novo santo. Uma das sobrinhas, Maribel Franco, cuja mãe era prima-irmã de Oscar Romero, contou que foi à capela do Hospital da Divina Providência para ver o corpo do tio, acompanhou o velório e assistiu ao enterro.

“Sentíamos muito medo naqueles tempos e, quando soube que mataram o monsenhor, tive certeza de que podiam assassinar qualquer pessoa, como de fato aconteceu”, disse a engenheira Yenay Acosta Gamero, que tinha 15 anos na época. Um professor de colégio foi alvejado na rua uma semana após ter ido ao enterro de Romero.

O cardeal Gregório Rosa Chavez, auxiliar da arquidioces de San Salvador, celebrou uma missa no auditório com bispos e padres salvadorenhos, Amigo e colaborador do mártir canonizado, ele disse que Romero é o santo de seu coração. Em nome do episcopado e do povo de El Salvador, ele convidou o papa Francisco a visitar seu país e lhe pediu que autorizasse a abertura do processo de beatificação de padre Rutilio Grande, jesuíta assassinado em 12 de março de 1977, acusado de se ser comunista.

Diante do presidente da República, Salvador Sanchez Cerén, que fez parte da delegação oficial de El Salvador, o cardeal Chávez, pediu que seu País tenha justiça e paz, busca da verdade e garantia de salários justos. Entre as pessoas selecionadas para participar da audiência na primeira fila estava Angelita Morales, secretária de Santo Oscar Romero até a véspera de sua morte. O papa a abraçou sob aplausos da assistência,

“Vocês pagaram ingresso para entrar aqui? Não? Pois agora vão ter de pagar e o preço é que rezem por mim”, despediu-se Francisco. Ele entrou e saiu pelo corredor central, sorrindo e apertando as mãos de muitas pessoas, sob discreto esquema de segurança.

 

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