MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Samarco admite risco de rompimento de barragens

As estruturas operam com a margem de segurança de 1,37 e 1,22; o limite mínimo é de 1,50, em uma escala de zero a 2

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

17 Novembro 2015 | 19h01

Atualizada às 20h de 18/11

Assim como a barragem de Fundão, que há 13 dias rompeu e despejou um mar de lama sobre o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), as de Santarém e Germano – também da Samarco – correm esse mesmo risco. Representantes da empresa admitiram nesta terça-feira, 17, que ambas operam com um fator de segurança menor do que 1,5, que é o índice recomendado.

A empresa divulgou que o fator de segurança é de 1,37 na barragem de Santarém e de 1,22 no dique Selinha, na barragem de Germano. O fator de segurança mede a relação entre as forças de resistência e as forças que poderiam causar uma ruptura da estrutura. Um índice de 1,22 significa que a força de resistência é 22% maior que a força de ruptura. 

Além do baixo fator de segurança, a barragem de Germano tem desníveis, detectados pelo Corpo de Bombeiros, de três metros de comprimento, em uma parede de contenção (os danos foram visualizados por um drone, mas não foram confirmados pela mineradora). Em Santarém, a preocupação dos gestores é com uma área erodida no lado direito da estrutura. “Tem o risco. Estamos fazendo as ações emergenciais necessárias”, disse o gerente-geral de projetos estruturantes da Samarco, Germano Lopes.

A empresa prestou esclarecimentos técnicos sobre as barragens e garantiu, sem explicitar números, que “não está poupando recursos” para investigar as causas do rompimento. Diferentemente do que havia sido em princípio anunciado, a única barragem que rompeu foi a de Fundão, expelindo rejeitos que desceram e atingiram Santarém, causando a erosão. 

Chuva. O engenheiro civil geotécnico da Samarco, José Bernardo Vasconcelos, disse que até a chuva forte que caiu sobre Mariana nesta terça é prejudicial, pois pode aumentar o desgaste e, consequentemente, o risco de mais uma tragédia. Nove funcionários da Samarco e três moradores de Bento Rodrigues estão desaparecidos. Até esta terça, foram 11 mortes – quatro corpos seguem sem identificação.

O diretor de Operações e Infraestrutura da mineradora, Kleber Terra, quando indagado se a empresa vai pedir desculpas à população, respondeu que “não é o caso de desculpas”. “Tivemos um evento trágico e estamos muito solidários e sofridos. Acho que é o caso de verificar claramente o que aconteceu, enquanto tentamos diminuir ao máximo o impacto na vida das pessoas.”

Ele evitou responder se considera o rompimento da barragem um acidente ou algo que poderia ter sido evitado. “Não posso ficar levantando hipóteses. A Samarco é reconhecida como referência em boas práticas e os melhores especialistas possíveis estão investigando as causas.” Os efeitos a médio e longo prazo também foram assuntos sobre os quais os representantes preferiram não opinar.

Apesar do fator de segurança abaixo do recomendado, um novo desastre é improvável, de acordo com o engenheiro Hernani Lima, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especialista em geotecnia aplicada à mineração. “Um índice de 1,22 significa que a força de resistência é 22% maior que a força de ruptura. É uma margem de segurança pequena, o ideal seria pelo menos 50%. No entanto, isso não significa que a barragem vai romper, mas que é preciso fazer uma intervenção”, explicou Lima. / COLABOROU FÁBIO DE CASTRO

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