Samarco dá férias e prevê 50 dias para ‘decidir futuro’

Empresa tem somente minério de ferro para usar até o próximo sábado, 14, quando suas quatro usinas devem parar

Vinicius Rangel, Especial para o Estado

11 Novembro 2015 | 03h00

Os impactos do rompimento das barragens em Mariana (MG) já ameaçam o futuro da Samarco. No município de Anchieta, no sul do Espírito Santo, a empresa anunciou nesta terça-feira, 10, que só tem minério de ferro até o próximo dia 14. 

O Diretor de Operações e Infraestrutura, Cleber Terra, informou que 85% dos 2,5 mil funcionários da empresa em Ubú estão de licença remunerada desde esta terça. E em dezembro todos entrarão de férias coletivas, com volta prevista só para 4 de janeiro. A empresa, segundo ele, terá 50 dias de estudo do caso para tomar as próximas iniciativas para a volta das atividades no balneário capixaba. 

“Os funcionários que estão diretamente ligados a essa situação estão a partir de hoje recebendo licença remunerada, com todos os direitos que têm. Até 4 de janeiro, vamos avaliar essa situação, para depois discutirmos o futuro da empresa”, explicou Terra. 

A preocupação com a produção e a perda dos lucros da empresa ainda não transparece como alvo do momento, mas o diretor de operações explicou que a empresa deve ficar parada até janeiro até para conseguir pensar em uma estratégia de recuperação do prejuízo. 

Quanto a possíveis demissões, nada foi confirmado. “A Samarco hoje tem estoque de produtos até este mês de novembro. A partir de dezembro, nós perdemos os embargos do mês e teremos de avaliar quais serão as melhores formas de agir nos próximos dias. As nossas quatro usinas vão ser paralisadas no próximo sábado (dia 14) e até janeiro vamos pensar se vamos ou não demitir alguém. Tudo ainda está muito recente”, disse Terra.

Contratos. Com a paralisação das quatro usinas da Samarco em Anchieta, os contratos serão cumpridos somente até novembro e, após esse período, serão interrompidos. “O nosso setor comercial está conversando com todos os fornecedores e clientes, para buscarmos alternativas para suprir essa situação”, finalizou Terra. 

Questionado pela reportagem do Estado sobre a empresa não voltar mais a operar nas duas cidades, Cleber Terra disse apenas que “seria prematuro dizer se a empresa vai ou não continuar operando”. “Precisamos desses 50 dias para decidir qual será o futuro da Samarco”, admitiu.

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